Trabalho em casa: alternativa contra o caos nas metrópoles

Tempo é dinheiro. Perder tempo no trânsito, portanto, é perda de dinheiro. Essa não é apenas a constatação daqueles que, por não conseguirem chegar pontualmente ao encontro com o cliente, acabaram deixando de fechar o negócio. Ou de quem foi demitido depois de chegar atrasado ao trabalho tantas vezes. As vivências pessoais e as estatísticas refletem que as horas perdidas dentro do carro ou do ônibus representam sérios prejuízos econômicos, tanto para o empregado quanto para o empregador.

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela que só a cidade de São Paulo deixa de produzir anualmente cerca de R$ 27 bilhões com o tempo desperdiçado no trânsito. Horas perdidas que deveriam ser gastas no trabalho. Infelizmente, as perspectivas de mudança desse cenário são desalentadoras.

Potencializada pelas medidas governamentais de redução de impostos, a venda de veículos dá saltos alarmantes. O aumento da frota brasileira foi de 121% no ano passado em relação a 2001, de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Números como esses funcionam como buzinas para os ouvidos não só de governos, mas também de empresas e dos próprios cidadãos que necessitam unir esforços para gerir o trânsito nas grandes cidades, diminuindo o caos da mobilidade urbana.

Uma das alternativas experimentadas nos Estados Unidos há mais de cinco anos – e que já foi implementada por algumas empresas no Brasil – é o modelo de negócios que mantém funcionários de telemarketing atuando na própria residência, em estações de trabalho montadas com todo o aparato tecnológico.

A medida possibilita não só que menos gente se desloque pelas cidades, descongestionando o trânsito e diminuindo a emissão dos gases poluentes, como também contribui com o aumento da qualidade de vida dessas pessoas e a consequente melhoria em seu desempenho profissional.

Uma estimativa do Centro de Estudos de Teletrabalho e Alternativas de Trabalho Flexível (Cetel) aponta o aumento em 30% do número de empresas que adotam o teletrabalho no Brasil, isso desde o reconhecimento do trabalho remoto pela lei 12.551, no início deste ano. Felizmente, grandes empresas, como seguradoras, já começam a incorporar o formato de home office em sua cultura organizacional. Percebem que, se o contact center não é seu core business, a melhor alternativa é terceirizá-lo para quem pode apoiar os operadores com capacitação e recursos tecnológicos de ponta. Assim, podem direcionar seus investimentos para projetos estratégicos.

A empresa que necessita de uma área de contact center e adota o modelo remoto vê incrementar tanto sua produtividade – pesquisas revelam que os operadores aumentam a entrega de resultados em até 30% por estarem em casa – quanto sua lucratividade, já que reduz custos com expansão de infraestruturas física e tecnológica, além de contratações diretas.

A queda no absenteísmo é outro fator observado pelos empregadores que já abraçaram o sistema de teleatendimento remoto. Não importa se há calamidade pública, greves, chuvas ou enchentes: se o funcionário está trabalhando em casa, o consumidor não deixará de ser atendido. Nem a empresa terá prejuízos com faltas ao trabalho.

Se não bastassem esses motivos, o home office na área de telemarketing se apresenta também como alternativa para a inclusão social de aposentados e portadores de necessidades especiais, além de instrumento para a reinserção profissional de mulheres que acabaram de ter um filho e que não abrem mão de ficar com o bebê.

Vale ressaltar que gestantes também são beneficiadas, assim como mulheres que precisam ajudar na renda da família. Um público que integra o volume apurado pelo último censo do IBGE: nada menos que 30 milhões de brasileiros já trabalham em casa. Assumir que essa é uma realidade e que a oferta de novos postos de trabalho home office contribuem com a melhoria da mobilidade nas nossas metrópoles ajuda a colocar o Brasil no caminho desta inovação, que oferece diversos impactos positivos tanto para as empresas quanto para os que optam em trabalhar em casa.

TIAGO VIANNA MARTINS*
*Tiago Vianna Martins é gerente geral da Home Agent.

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