Sem empolgação, Brasil e Holanda disputam o 3º lugar

“Não tem explicação. É explicar o inexplicável.” Foi assim que Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira definiram em entrevista coletiva o massacre alemão em cima da Seleção Brasileira, derrotada por 7 a 1 na semifinal da Copa do Mundo, no estádio do Mineirão, na última terça-feira. Nem mesmo os mais pessimistas poderiam prever o que aconteceu na partida. Reconhecer o bom time alemão, inclusive apontado pela maioria como a principal equipe candidata ao título do torneio, seria natural, algo que, no duelo, claramente notamos o desconhecimento do adversário por parte de nossa comissão técnica. Ainda na coletiva de imprensa, segundo o treinador brasileiro, na tentativa de informar de alguma maneira aos brasileiros, o que foi o futebol visto em Belo Horizonte, Scolari disse que uma ‘pane’ atingiu a todos, inclusive sua própria comissão técnica. Talvez tenha sido mais que isso. Ponto bastante curioso de Felipão e Parreira durante a conversa pós-jogo, foi sempre ‘apoiar-se’ no fato de o Brasil ter avançado até as semifinais do Mundial. É verdade, porém, é preciso admitir que a Seleção Brasileira não convenceu desde o começo. Apenas adversários de ‘segunda linha’, nenhum grande teste de fogo, e ainda assim sofremos em algumas situações.

Vergonha dentro de casa
Oito títulos mundiais em campo. Muitas mensagens de apoio a Neymar, além de várias máscaras do atacante nas arquibancadas. Mesmo entendendo que o adversário tinha mais time que os anfitriões, a esperança estava presente e imaginávamos assistir a um jogo duro, intenso, o que não aconteceu. Dante foi escalado para a vaga de Thiago Silva e Bernard entrou para cumprir a dura missão de substituir Neymar. Este último, um equívoco tático de Felipão. Não por seu futebol, mas pelas características adversárias, que tanto pensamos terem sido analisadas pelo professor Scolari. Todos sabiam que a Alemanha domina o meio de campo, com 5 homens, além da extrema qualidade técnica de cada um deles, bastava ligar a TV em tempos de Copa, ainda mais acontecendo no ‘quintal’ de nossa casa. O Brasil começou com mais volume de jogo, mas a Alemanha não permitia que isso fosse revertido em chances de gol. O drama brasileiro começou com 11 minutos. Em escanteio, Toni Kross bateu, David Luiz falhou na marcação de Thomas Muller que, sozinho, tocou para abrir o marcador. O Brasil até tentou reagir, mas diante do placar favorável aos alemães, tudo ficou muito complicado. A disciplina tática dos adversários é de dar inveja, e a nossa Seleção não conseguia encontrar espaços no campo adversário. Aos 22 minutos de jogo, o início da maior mancha do futebol brasileiro. Klose, dentro da área, chutou duas vezes para anotar o segundo gol alemão, seu 16° em Copas, e de quebra bater o recorde de gols na competição, ultrapassando o brasileiro Ronaldo. O Brasil ficou perdido. Aos 23 minutos e aos 25, mais dois gols, Kross duas vezes, desenhando o pesadelo no Mineirão. Três minutos depois, mais um, Khedira. 5 a 0 para a Alemanha ainda no primeiro tempo, um verdadeiro filme de horror.

Na volta do intervalo, duas trocas no Brasil. Fernandinho deu lugar a Paulinho e Hulk saiu para a entrada de Ramires. Sem efeito algum diante de um adversário frio, tático e extremamente técnico. Aos 23 minutos, Schurrle aumentou com o sexto gol alemão. Felipão tirou Fred, muito xingado em campo, e deu lugar a William. Nada mudou e 10 minutos mais tarde, outro gol de Schurrle, o sétimo. Pouco antes do último gol alemão, já era notória a diminuição do ritmo alemão em campo, sugerindo compaixão ao brasileiro presente no estádio. No final do jogo, Oscar conseguiu marcar o gol de honra brasileiro, mas naquela altura do campeonato, de nada valia. 7 a 1 para a Alemanha, a maior humilhação da Seleção na história. Com o resultado, Brasil e Holanda vão jogar no sábado, em Brasília, valendo o terceiro lugar do Mundial. Já a Alemanha vai encarar a Argentina na grande decisão.

E agora? O futebol brasileiro certamente precisará ser revisto. A base, campeonatos nacionais, a mentalidade futebolística de modo geral. Felipão e Parreira, colocados em seus respectivos cargos por conquistas mundiais passadas, teriam parado no tempo? Será que o Brasil, eterno ‘País do Futebol’, notou tal mudança? Que a derrota, o vexame, sirvam para boas reflexões, sobretudo, mudanças.

Disputa do terceiro lugar
Brasil e Holanda vão disputar, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, no dia 12 às 17h, o título de terceira melhor equipe deste Mundial. Antes da partida, a expectativa não é das melhores. Do lado brasileiro, depois da surra imposta pela Alemanha, 7 a 1, difícil imaginar Felipão, que até aqui deixou muito a desejar na preparação da equipe, motivar os atletas para este último jogo, diante de uma torcida que por enquanto segue na dúvida quanto à postura no próximo sábado. A tendência é que apoiem os jogadores, não todos, no caso de Fred, principalmente. Mas, além disso, o clima pode ficar tenso. Felipão e a comissão técnica brasileira devem ser alvo de críticas dos torcedores. Situação complicada, ainda mais em caso de nova derrota.

Do outro lado, o técnico da Holanda já se declarou inconformado com a partida, alegando que a equipe terá um dia a menos para se preparar, fato talvez, determinante no duelo, lembrando que os holandeses jogaram um dia após o Brasil e levaram a disputa contra a Argentina para as penalidades. Quem sai perdendo é o torcedor, já que diante das possíveis dificuldades das equipes, o duelo é digno de uma final de Copa do Mundo, repleto de histórias e bons jogadores. Que a Holanda possa dar o melhor de seus atletas em prol do espetáculo e os jogadores brasileiros melhorem o aspecto psicológico. Afinal, para o próximo Mundial, com certeza nomes desta lista farão parte do elenco em busca do tão sonhado hexacampeonato.

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