Quanto realmente custa para abrir uma franquia?

*DAVID PINTO

É inevitável pensar em deixar de ser subordinado e abrir o próprio negócio. Porém e infelizmente, muitos empreendedores desconhecem a real noção de custos para instalação de uma franquia. E a maioria descobre após assinar o contrato com a franqueadora. Assim, para muitos, o negócio que parecia extremamente promissor torna-se uma grande dor de cabeça.

Nestes 10 anos de atuação em franquias, inúmeras vezes, encontrei pessoas dispostas a investir todos os seus recursos ou mesmo encarar longos financiamentos para conquistarem o sonho de serem proprietários de um negócio próprio. Não tenho a menor dúvida de que o franchising é o caminho mais seguro e promissor para estas pessoas. Basta saber que a taxa de mortalidade entre franquias é de 15%, enquanto nos demais negócios é de 80%.

A falta de planejamento financeiro certamente é um dos principais fatores a derrubar as franquias que fracassam. Soma-se a ele, o perfil do franqueado, muitas vezes sem vocação para gerir um negócio, e a incompatibilidade entre a franquia e a região em que foi instalada.

Mas vamos tratar aqui da questão financeira. Ao adquirir uma franquia, alguns empreendedores analisam apenas os valores cobrados pela franqueadora, como a taxa de adesão ao negócio e os royalties. Contudo, existe uma série de gastos iniciais que devem ser colocados na ponta do lápis antes da decisão de adesão ao negócio. Citarei aqui os gastos que devem ser considerados. Claro que estes excluir variam conforme o tipo de negócio, mas, de uma maneira geral, os mais comuns podem ser:
· Compra ou aluguel do ponto comercial;
· Reforma do local e adequação da identidade visual padrão da franquia;
· Compra de mobiliário, equipamentos, computadores e ferramentas;
· Instalação de estrutura para computadores, internet, telefone, energia elétrica;
· Custos com a abertura de empresa e com escritório de contabilidade,
· Contratação de funcionários para equipe administrativa e de atendimento;
· Aluguel ou compra de veículos para uso comercial;
· Investimento em comunicação (fachada, cartões, material promocional, uniformes);
· Investimento em divulgação (publicidade, assessoria de imprensa, eventos);
· Custos com viagens para a sede da franqueadora para treinamentos iniciais;
· Reserva financeira de cerca de 25% do valor da franquia para capital de giro. Este capital é extremamente importante para manter o negócio até as vendas começarem a ter volume significativo.

Antes de colocar a mão no bolso
A ansiedade pode ser uma inimiga. O melhor é sempre direcionar a energia do entusiasmo com a possibilidade de ser dono do próprio negócio para ações práticas, como o estudo minucioso da marca em questão e a projeção detalhada de custos. Além disso, é essencial buscar informações com quem já está no mercado. Outros franqueados da marca eleita poderão oferecer uma real visão do negócio e contar a experiência deles quanto ao retorno de investimento e principais dificuldades que enfrentarão.

O melhor momento para aderir a uma franquia é aquele em que a pessoa tem consciência de quanto realmente custará o negócio e dos desafios que precisarão ser enfrentados. Com isso claro, o êxito será uma prazerosa consequência.

*David Pinto é empresário com 10 anos de experiência no franchising, sendo conhecido no meio empresarial como o Doutor Franquia pelo seu histórico de sucesso no setor. Em 2011, ele fundou o Grupo Resolve Franchising, empresa que reúne as marcas Doutor Resolve, Instituto da Construção e Doutor Eletro. A franquia Doutor Resolve é considerada a bandeira que mais cresce no País pela Associação Brasileira de Franchising (ABF). Mesmo com o pouco tempo de atuação, a Doutor Resolve já possui 600 unidades, atuando em todos os Estados brasileiros.

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