Perspectivas econômicas para a indústria em 2015

RICARDO MARTINS*

Dizem os especialistas que, se a nossa economia caminhar como deve e o governo deixar de ser problema para a equipe econômica, o Brasil terá muitas oportunidades a serem aproveitadas. Ainda assim, o crescimento será baixo.

Vamos ao cenário atual: segundo a pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central, sobre as perspectivas para 2015, a inflação anual deve superar a meta de 6,5%, estabelecida pelo governo. Já o crescimento do PIB foi rebaixado de 0,5% para 0,4% ao ano. Ainda de acordo com a pesquisa, a taxa básica de juros será ampliada para 12,5% até o final de 2015 e a alta do dólar deve continuar até 2016. Isto sem falar de aumento das tarifas de serviços básicos de infraestrutura, como luz, água, transporte e alta de impostos, como já anunciou o novo ministro Joaquim Levy.

Para a indústria, a expectativa é de terminar o ano com crescimento de 1,02%. Um alívio, considerando o amargor dos últimos períodos. Basta lembrar que no primeiro semestre de 2014, a indústria nacional acumulou perdas de 2,6% em sua produção. Há muito por ser feito para que se atinja um ambiente favorável aos negócios. Resta aos empresários brasileiros unirem-se, arregaçarem suas mangas e tentarem reativar a produção.

Com a chegada do ex-diretor do Bradesco, Joaquim Levy, ao Ministério da Fazenda, uma pequena luz se acendeu no final do túnel. O novo ministro terá que fazer um programa de ajustes na economia e cortar a própria carne do governo, revisando gastos e readequando as contas públicas. Nossa expectativa agora é que Levy consiga fazer bem o seu trabalho, sem interferências políticas, para poder reverter o ambiente de falta de confiança por parte dos investidores e empresários. Só assim o Brasil voltará a crescer lentamente.

Crescimento econômico sustentável é o que todos queremos. Significa alinhar as contas, recuperar a indústria, retomar a produção, gerar mais empregos e renda. Resta saber se haverá vontade política suficiente para colocar o Brasil no eixo do desenvolvimento outra vez.

Ao mesmo tempo, o governo terá que investir no aumento da produtividade e da competitividade para que o País volte a crescer em níveis internacionais. Por falta de competitividade da indústria nacional, o Brasil tem perdido credibilidade no mercado global.

O objetivo é retomar o crescimento e gerar empregos, mas antigos problemas, se não sanados, podem dificultar o cumprimento das metas. A volta da inflação é um deles, aumento de tarifas é outro. Em 2015, o custo da energia elétrica, a ser paga pela indústria nacional, terá elevação de 27,3% em média. A valorização do dólar, no entanto, pode favorecer a indústria no caso das exportações.

O escândalo do desvio de verbas da Petrobras é ainda outro ponto que pode causar dificuldades à infraestrutura do País, já que entre os envolvidos encontram-se as maiores empreiteiras brasileiras e, consequentemente, atravancar a produtividade industrial, que depende de um sistema logístico eficiente para competir no mercado internacional. Ficou mais distante o sonho de termos um programa eficiente de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.

Recuperar a capacidade de investimento da indústria é mais um desafio que o Brasil tem pela frente. Pesquisa da FGV indica que apenas 41% das empresas consultadas pretendem fazer algum investimento em 2015. Por outro lado, segundo a mesma pesquisa, 25% das empresas pretendem diminuir seus quadros de trabalhadores até o final de fevereiro. A intenção de demitir atinge principalmente seis setores: material de transporte, têxtil, minerais não metálicos, produtos farmacêuticos e veterinários, material elétrico e de comunicações e alimentos.

A perspectiva de desemprego e a alta constante nos juros contribuem para a queda do consumo, o que pode retardar o crescimento econômico.

A retomada da produção industrial pode ser um dos motores de arranque da nova economia, pois além de ser geradora de empregos, fortalece as cadeias produtivas e atrai novos serviços aos locais onde são instaladas. Cabe agora saber em que direção vai o governo: do crescimento sustentável ou da politicagem partidária.

* Ricardo Martins é diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP – Distrital Leste) (www.ciespleste.com.br) e diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da FIESP. Também é vice-presidente do SICETEL (Sindicato Nacional das Indústrias de Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos). E-mail: ciespdistritalleste@gmail.com.

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