Passeatas movimentam a zona Leste

GEORGES NABHAN,
NAIARA TELES,
PAMELA SCHUMAHER
e PATRÍCIA SANTANA

Após se falar que os protestos chegariam à zona Leste, a sexta-feira do dia 21 de junho começou com sua rotina normal. Ao longo do dia, os comerciantes começaram a fechar suas portas com medo de vandalismo, as reuniões de negócios foram desmarcadas e muitas empresas mandaram seus funcionários para casa mais cedo.

Porém, a manifestação aconteceu de forma pacífica e de acordo com informações da Polícia Militar (PM), cerca de 7 mil pessoas de diversos pontos da região se reuniram em uma passeata que passou pela “rua Tuiuti, Radial Leste, Minhocão, Consolação e terminou na avenida Paulista em frente ao MASP”, revelou Douglas Passos, um dos organizadores do manifesto, à equipe do jornal O Retrato.

Ele ainda completa: “Tudo ocorreu dentro do planejado, fomos nota 10. Não houve nenhuma lixeira quebrada, ocorrência policial ou vandalismo. Além disso, a população, a Polícia e os lojistas nos apoiaram. Foi gratificante escutar os parabéns do capitão da PM, que me ligou agradecendo a colaboração dos manifestantes”.

2ª edição da Manifestação Pacífica pela Zona Leste
E é em busca de melhorias para a região que acontece no dia 28, sexta-feira, às 17h, no Tatuapé, mais um ato, só que desta vez em prol de um corredor de ônibus na Radial Leste.

A concentração acontecerá novamente na Praça Silvio Romero e partirá às 18h para a Radial Leste em frente ao Metrô Tatuapé e logo depois seguirá para a avenida Salim Farah Maluf. “É importante que os manifestantes não se esqueçam de trazer cartazes, bandeiras, apitos e cornetas”, afirma a organização do evento. A manifestação contará com o apoio da Polícia Militar, ciclistas, skatistas e também do Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Tatuapé e sua bateria.

Esperamos que neste manifesto as pessoas possam protestar e não vandalizar. Queremos uma atenção maior por parte da Prefeitura de São Paulo, além da presença dos Subprefeitos da região. Nossa intenção é que o prefeito Fernando Haddad olhe mais para a zona Leste e que o corredor de ônibus da Radial saia realmente do papel”, finaliza Douglas. Uma Greve Geral no dia 1º de julho, citada nas redes sociais, ainda não estava confirmada até o fechamento desta edição.

Opinião

“Acredito que seja uma situação que estava reprimida faz tempo e que as pessoas já não estavam aguentando mais a situação tanto da economia, do aspecto político, da forma de vida que temos, segurança, educação, de tudo um pouco, começou com o aumento das passagens dos transportes públicos, que no meu entender é um pleito justo, em cima disso houve uma adesão com outras reivindicações, o pessoal aproveitou o momento da Copa das Confederações, que sempre tem uma vasta cobertura da mídia nacional e internacional, e procurou dar foco no movimento.

Evidentemente que isso é positivo em alguns momentos, mas tem os aproveitadores, muitas pessoas que vão nem sabem o porque estão fazendo o movimento e muitos vão lá para depredar os espaços públicos e privados, querem fazer isso por vandalismo. Eu vejo o lado positivo, que as pessoas e o próprio governo já começaram a ir em busca das soluções. Estavam todos acomodados, parados, o congresso não se mexia, depois disso todo mundo começou a dar razão ao movimento porque fazia parte estar do lado da opinião pública, tem muito mais acertos nos pleitos que se pedem, uma mudança de comportamento e coisas do País, só deixaria de lado e faria uma ressalva aos aspectos negativos que eventualmente acabam ocorrendo, uma minoria que faz muito barulho.

Eu temo que não, essa é uma impressão que por mais que tenha mobilização nesse momento, mas acho que ele tende a se enfraquecer infelizmente, porque vai acabar o evento do futebol, daqui a pouco vai se diminuir número de passeatas e movimentos, depois no final acaba tudo, como se diz aqui na Mooca, em pizza.

Não fui e não conheço, as pessoas do meu convívio familiar ou profissional não participaram, acredito que seja porque o movimento tem algumas lideranças focadas em algumas áreas, os estudantes, por exemplo, linha e área de funcionalismo público, não tenho essa informação precisa, mas tenho uma sensibilidade, e acredito que normalmente tenha muitos professores, mas não posso afirmar, só acho”.
Paulo Madarasz Ventura


“Não participei dos protestos, estava viajando, mas conheço pessoas do bairro que participaram. Estou achando ótimo. É bom protestar mesmo, desde que não tenha baderna porque algumas pessoas acabam prejudicando todas as outras que estão tentando melhorar o País. Tem que ter hora pra começar e pra terminar, assim não atrapalha. Acredito que esse seja o começo de uma mudança. A sociedade deve ficar ligada e protestar contra tudo o que achar de errado”.
Sônia Biasia

 

 

“Achei muito bom, uma luz no fim do túnel, eu particularmente já estava descrente de alguma mudança ou melhora em nosso lindo Brasil, mas isso pode ser o começo de uma mudança. E para se ter resultado é necessário esse mesmo interesse nas urnas. Conheço várias pessoas que foram à passeata e cobrei da minha própria filha de o por quê ela não foi, mesmo ciente dos bandidos que estão em toda parte, acho que tem que estar presente nas ruas e pensar muito e buscar histórico dos candidatos para nas urnas tentarmos eleger as melhores pessoas, no mínimo as mais honestas… Agora se vai ter resultado, é uma boa pergunta, porque acho que o PT é expert em mudar o foco, e capaz de em dois meses levarem o povo às urnas para responder umas 10 perguntas complexas e todo mundo achar que o mundo vai mudar com tudo isso, e não é por aí. Acho que o congresso deveria fazer o esqueleto da reforma e somente nos pontos críticos colher a opinião do povo. Mas no momento o que concluo que o povo pede é um transporte com qualidade, uma saúde com médicos e remédios, uma escola com educação, uma Polícia mais equipada e preparada, mais cadeias para poder prender os bandidos e principalmente mais honestidade. E seriam esses tópicos que a presidenta, seus governadores e seus prefeitos deveriam responder e dar 110% de prioridade”.
Paulo Giatti

“Acho perfeito acontecerem as manifestações, contanto que sejam pacíficas. A depredação em comércios, bancos e carros não fazem o menor sentido, pois são empresas e pessoas que também são vítimas do sistema corrupto que cada dia mais deixa todos indignados. Os políticos já perceberam que não podem mais ignorar por completo os anseios da população. Chegamos em um ponto que acho que não dá mais para piorar. Acredito que os governantes não têm escolha, ou melhoram as condições de vida das pessoas ou vão pagar caro por isso. Não tive a oportunidade de participar, mas tenho funcionários e amigos que participaram e garantem que o espírito da maioria realmente é pacífico”.
Flavio Roveri Martins

“A manifestação é sempre muito bem-vinda, tirando o vandalismo. Tivemos várias passeatas na época do Collor, e acredito que os protestos só engrandecem o Brasil. Os políticos estão com os olhos fechados para as áreas de saúde, educação e esporte, o País está praticamente abandonado, por isso sou à favor. Atualmente pagamos temos uma carga tributária muito alta, hoje o empresário tem um sócio majoritário, que é o governo. Já as pessoas com menos recursos estão na mão de Deus!
Participei de duas manifestações e achei demais, o povo cantando o hino nacional era de arrepiar! Realmente a população está com vontade de mudar o Brasil”!
Luiz Lopes, empresário e piloto da Fórmula Truck

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