Palmeiras, 100 Anos de Academia – Uma reunião de fatos e amores

Nada mais justo – e imparcial da minha parte, sendo uma corintiana convicta – do que começar esta matéria com a frase de um palmeirense. “(…) O Palmeiras é uma forma de ver a vida. Quando você torce para o Palmeiras, faz um pacto inesgotável com a incerteza. Você sabe que a vida nunca vai ser injusta a seu favor. Está acostumado a viver felicidades improváveis e tristezas categóricas (…).”, afirma o jornalista Leandro Beguoci.

E dito isso, não me isento de dizer que sendo filha, irmã, sobrinha, afilhada e amiga de palmeirenses, a notória e precoce convivência com um amor gigantesco e a rivalidade imposta me fizeram realmente entender que para esse sentimento não há explicações. Assim, seguimos, eles não me entendem, eu não os entendo e como diria a frase de algum autor desconhecido, “está tudo certo e nada resolvido”.

Vozearia à parte, nesta edição do jornal O Retrato, destacamos o livro Palmeiras, 100 Anos de Academia, lançado, no último dia 25, pela editora Magma Cultural, em comemoração ao centenário do time alviverde.

A obra foi feita por palmeirenses para palmeirenses, possui edição final do jornalista Mauro Beting, que reuniu quatro jornalistas palmeirenses – Leandro Beguoci, citado acima, Fábio Chiorino, Marcelo Mendez e Gino Bardelli -, mais o designer gráfico Gustavo Piqueira para fazer um livro que conta tudo sobre o clube desde 26 de agosto de 1914.

São 384 páginas relatando a história do time e o perfil de ídolos, craques, além de fotos, textos de pessoas que jogaram pelo clube, o administraram ou o dirigiram, e de alguns palmeirenses famosos como Gianne Albertoni, Otávio Mesquita, Sabrina Parlatore, Ratinho e o ministro Aldo Rebelo.

Confira uma entrevista com o jornalista e colaborador do livro Gino Bardelli que, sendo palmeirense nato, pode nos contar sobre a importância de prestar uma homenagem ao time do coração no ano em que ele completa seu centenário.

O RETRATO – Quando surgiu o convite para participar do livro?
GINO BARDELLI - Já tinha trabalhado com o Mauro (Beting) em outro livro, 20 Jogos Eternos do Palmeiras. Após o término deste trabalho, que também foi um projeto incrível, o Mauro me ligou em outubro do ano passado perguntando se eu tinha interesse em participar do livro oficial do centenário do Palmeiras. Como se fosse necessário fazer tal questionamento (risos). Prontamente eu aceitei e iniciamos os trabalhos. Faço questão de ressaltar que o Mauro montou uma equipe, modéstia à parte, digna da fantástica história centenária do Palmeiras. Ele liderou todo o projeto e, além de mim, participaram também de forma genial Fábio Chiorino, Leandro Beguoci e Marcelo Mendez.

OR – Como foi o processo de criação? Quanto tempo demorou?
GINO - Iniciamos os trabalhos por volta de novembro do ano passado e terminamos todo o conteúdo mais ou menos no mês de junho deste ano. As funções foram divididas. Eu, por exemplo, em um primeiro momento fiquei encarregado de entrar em contato com diversos palmeirenses ilustres, de vários setores, para cada um escrever como o Palmeiras ficou marcado na sua vida. Todos os textos entraram no livro. Depois, escrevi parte da história do clube e redigi alguns perfis dos maiores jogadores. Também tem uma parte do livro sobre os maiores jogos da história do Palmeiras, que ajudei a escrever. Além disso, auxiliei na busca por fotos que seriam colocadas no livro. Depois disso o conteúdo foi revisado, editado e entrou a parte de diagramação, do projeto gráfico, escolha e tratamento das fotos e assim por diante. O livro, editado pela Magma Cultural, ficou simplesmente fantástico. Além do conteúdo excelente, a arte da publicação ficou incrível.

OR – O que é ser palmeirense?
GINO - A contracapa do livro possui a célebre frase do grande Joelmir Beting (21/12/ 1936 – 29/11/2012), que na minha opinião é o dogma definitivo que sintetiza o espírito de um palmeirense: “Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense… É simplesmente impossível!” No entanto, se eu pudesse definir o que é ser palmeirense, humildemente diria que é, de certa forma, um reflexo da vida, pois em ambos os casos existem momentos bons e ruins. A questão fundamental é o quanto você acredita naquilo que ama e coloca como fundamental para continuar a viver com integridade. Por isso que não desistimos de viver. E no meu caso, por isso que também não deixo de ser palmeirense.

OR – O seu amor pelo time começou quando?
GINO - Sempre fui palmeirense. Tenho fotos minhas, que nem lembro de ter tirado, com o uniforme do Palmeiras. Mas posso dizer que tive certeza que era palmeirense até o osso e a alma após a final do Campeonato Paulista de 1992, quando a disputa foi perdida para o São Paulo, que naquela época era o melhor time do Brasil. Era muito difícil ser palmeirense naquele período. Ainda mais para uma criança. Eu tinha nove anos e o Palmeiras completava 16 anos sem um título importante. Chorei muito, mas no dia seguinte saí de casa para jogar bola com a camisa do Palmeiras. O meu primo, também palmeirense, estava junto comigo e igualmente uniformizado. Lembro como se fosse hoje: um cara passou pela rua e ele estava em um carro. Brincou com a gente dizendo que era são-paulino e que não tinha motivo para nós usarmos a camisa do Palmeiras, já que o campeão era o São Paulo. Nós só dissemos que tínhamos orgulho de ser palmeirense. Sem saber, eu já tinha incorporado a definição genial do Joelmir à minha vida (risos).

OR – Por fim, como definiria o livro?
GINO - Ele é um livro para o palmeirense de verdade. Apesar de ser uma publicação oficial do clube, ele não se pauta pela chapa branca. Está tudo ali, dos momentos mais gloriosos aos mais difíceis. E acredito que pelo fato de o livro ser baseado na isenção e fundamentalmente pela vontade, obrigação e amor de retratar os 100 anos de um dos maiores clubes de futebol do mundo – para mim e milhões de pessoas, o maior do mundo -, é um livro também dirigido ao amante do verdadeiro futebol brasileiro.

Informações:
Autor: Mauro Beting
Textos: Leandro Beguoci, Fábio Chiorino, Marcelo Mendez e Gino Bardelli
Editora: Magma Cultural
384 páginas
Preço sugerido: R$ 159.

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