O mundo pós-mídias sociais

Por ACÁCIA LIMA*

Ao longo das últimas décadas, o surgimento de novas mídias (jornal, rádio, TV e, mais recentemente, a internet) tem causado constantes mudanças não apenas na maneira de se transmitir informações, mas principalmente na maneira como as pessoas se relacionam com o mundo. Entretanto, nenhuma outra mídia provocou tamanha desestruturação nas formas convencionais de marketing ou interatividade quanto as redes sociais, o que nos impele à constante necessidade de que – ao contrário de outros meios de comunicação em massa – as empresas estejam atentas ao perfil (ou aos múltiplos perfis) de seus usuários.

Com relação às análises dos perfis dos usuários nas redes sociais, os resultados obtidos são inspiradores: nunca se viu tantas informações a respeito de comportamento, preferências, ideologias, atividades, profissão e outros, como agora. E o que é melhor: gratuitamente.

Ainda assim, estas análises trazem tanto mistério quanto curiosidade para aqueles que precisam adaptar-se à comunicação da nova era, pois trouxeram uma nova dinâmica ao modelo passivo de vender e fazer marketing, o que impõe ao administrador moderno rever seus conceitos de análise de mercado, o que, em alguns casos, não é algo lá muito fácil.

Para entender um pouco da complexidade desta “mudança de paradigma” trazida pelas redes sociais, basta dar uma olhada no resumo de suas características:
• As mídias sociais são universalistas, descentralizadoras e democráticas;
• Cultivam e fomentam a diversidade;
• Não distinguem a vida “real” da “virtual”;
• Geram confiança, reciprocidade e ajudam a manter, ou construir, reputação;
• São gratuitas;
• 1% de seus participantes produz conteúdo próprio;
• 4% compartilham o conteúdo visto;
• 95% observam;
• 46% dos usuários do Facebook têm mais de 45 anos, e outros 22% estão entre 35 e 44 anos;
• Tem usuários ativos 24 horas por dia, 7 dias por semana;
• Quadruplicou o número de usuários em 3 anos: de 197 milhões em 2009 para 955 milhões em junho de 2012. Deste número, mais de 200 milhões checam sua timeline diariamente através do celular ou tablets.

Uma dimensão mais clara do poder de fogo das mídias sociais, inclusive, pôde ser vista durante as primeiras Olimpíadas “totalmente sociais”: durante os 16 dias dos jogos olímpicos de Londres, foram enviadas mais de 150 milhões de mensagens no Twitter, com pico para a cerimônia de encerramento – 116 mil tuítes por segundo, segundo o site da revista Exame. Isso nos leva a crer que, hoje, não é suficiente receber a informação. É fundamental compartilhá-la, comentá-la e, sobretudo, posicionar-se em relação a ela.

Em uma visão mais poética, pode-se dizer que as mídias sociais revelaram um usuário apaixonado, ativo, que quer falar e ser ouvido e que, muitas vezes, não quer se limitar apenas às palavras, mas também a imagens – eis o grande sucesso do Instagram e Pinterest -, vídeos e o que mais puder agregar aos seus posts.

Em suma, com as redes sociais foi dada a largada para um “admirável mundo novo” no campo da análise de mercado, onde se mostra necessário obter um conhecimento mais profundo e comportamental a respeito de seus usuários. E já que estes, por sua vez, não querem se esconder, vale a pena aproveitar esta oportunidade para conhecer pessoas, e a partir daí, conhecer consumidores, eleitores, marcas e tendências.

*Acácia Lima é jornalista e diretora da YellowA, agência especializada em mídias sociais.

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