O incansável Marcelo Serrado

Colhendo os frutos de seus 26 anos de carreira, Marcelo Serrado, eleito o Melhor Ator de 2012 no prêmio Extra e o Carioca do Ano pela Veja Rio, está em cartaz no Teatro Vivo, com a peça Rain Man interpretando o autista Raymond, que vem de um premiado clássico dos cinemas. E haja disposição e talento, pois Marcelo também está estreando como autor e ator do formato stand-up, com o espetáculo Tudo é Tudo e Nada é Nada, sendo que ele atravessa a Cidade nas noites de sextas e sábados para chegar ao Teatro Folha e dominar o público fazendo humor de cara limpa.

Além disso, o ator que está em vias de lançar Super Crô – O Filme, dirigido por Bruno Barreto, está se dedicando aos ensaios do longa e enfrentando a ponte aérea Rio-São Paulo, para estar com a família, que acaba de aumentar, pois sua esposa, a bailarina Roberta Fernandes, deu à luz, no dia 09 de abril, aos gêmeos Felipe e Guilherme.

Mesmo com o volume de trabalhos Marcelo atendeu a equipe do jornal O Retrato, após a apresentação do stand-up, e falou sobre o personagem Crodoaldo Valério, que saiu da novela Fina Estampa da TV Globo, criada por Aguinaldo Silva, do lançamento de um livro, de um programa de rádio e muito mais!

O RETRATO – Como surgiu a ideia de criar o Tudo é Tudo e Nada é Nada?
MARCELO SERRADO – Surgiu de uma vontade que eu tinha há muito tempo de escrever um texto que fosse meu. E o Eduardo Barata e o Léo Fuchs, que são os produtores, me incentivaram a isso. Trabalhei com o Marcelo Rubens Paiva, que é um autor que admiro e ele falava ‘Marcelo você tem que escrever uma coisa sua…’ e sempre fiquei com isso na cabeça. Aí comecei a escrever umas coisas na verdade que aconteceram comigo e meio que “ficcionei” algumas coisas também e criei essa coisa do smartphone, que tem um aplicativo que vai me dando dicas para criar uma linha no stand-up, é uma brincadeira a peça, é leve e divertida. Brinco com a minha profissão…

OR – E as histórias são verídicas?
MARCELO – Diria que 95% não são, mas falo como se fosse minha (risos). Daí peguei o gosto de escrever e tem uma outra peça que vou montar.

OR – Em formato de stand-up também?
MARCELO – Não, é uma peça chamada A História dos Amantes com três atores: eu, Eriberto Leão e Malvino Salvador. Estreia no final do ano lá no Rio, e acho que vai ser um barato, porque brinco e faço uma analogia com os amantes desde o começo da história até os dias de hoje, é bem divertida.

OR – Quando stand-up acabar, você volta para o Rio?
MARCELO – Irei para o Rio em julho, vou parar um pouquinho. Por conta do Rain Man e do filme que estou fazendo do Crô, não dá para fazer tudo, estou exausto (risos), é muita coisa, ‘calma, calma Marcelo’ (risos).

OR – Qual a principal diferença em fazer um espetáculo como Rain Man em uma história que se passa com vários personagens e um stand-up, onde você é o único em cena e precisa lidar diretamente com o público?
MARCELO – São duas coisas bem diferentes, mas no Rain Man tenho que estar muito concentrado, se me desconcentro não sai legal. Aqui posso esquecer, trocar e improvisar, aqui vale tudo.

OR – Você falou do filme do Crô. Já começou a gravar o longa? Pode adiantar um pouquinho do filme?
MARCELO – Amanhã tem ensaio às 9h da manhã. É um filme que vai ser bem divertido. Não posso adiantar muito a história, mas ele está rico e começa a fazer teste para descobrir uma nova rainha…

OR – Você esperava que esse personagem ultrapassaria as fronteiras da teledramaturgia e chegaria ao cinema?
MARCELO – É muito raro isso acontecer. Me lembra muito um personagem que eu assistia na minha adolescência, Mario Fofoca (interpretado por Luís Gustavo na novela Elas por Elas da TV Globo), que saiu de uma novela, tinha seriado e tudo. O Crô virou isso também. O Aguinaldo Silva está escrevendo um livro e vamos ter um programa de rádio do Crô, ‘a bicha vai dar conselhos’ (risos), ‘ela vai zoar muuuito, entendeu’ (risos). Ele é engraçado, um personagem gay, que as pessoas e até as crianças amam, parece um desenho animado.

OR – E qual é o segredo de sucesso do Crô?
MARCELO – Acho que ele é leve, brincalhão, chapliniano, um Bart Simpson (risos), ele é tudo.

OR – Você tem projetos para voltar à televisão?
MARCELO – Já gravei um piloto de humor bem legal, mas não posso contar o que é (risos). Se for aprovado o público vai se divertir muito, está previsto para ir ao ar em julho.

OR – Quer deixar um recado para os nossos leitores?
MARCELO – Claro, convido a todos para assistirem aos espetáculos!

Rain Man
Em cartaz até o dia 02 de junho, o espetáculo é uma adaptação do filme homônimo de Barry Morrow, estrelado por Dustin Hoffman e Tom Cruise, vencedor de quatro categorias no Oscar de 1989. Bem fiel à montagem original, a peça narra a história de Charlie Babbitt (Rafael Infante), um egocêntrico vendedor de automóveis de Los Angeles que após perder o pai descobre que o beneficiado pela herança que ele tanto cobiça é Raymond (Marcelo Serrado), um autista que viveu escondido em uma instituição a maior parte de sua vida. Insensível, Charlie só espera colocar as mãos neste dinheiro e então decide levar Raymond para uma viagem e tentar conquistar a fortuna. A namorada de Charlie (Fernanda Paes Leme) se junta ao grupo e acaba se ligando afetivamente a Raymond. Nesta viagem, várias descobertas acontecem transformando finalmente a vida de Charlie.

SERVIÇO:
Teatro Vivo – Avenida Chucri Zaidan, 860 – Morumbi – Tel.: 9 7420-1520 – www.teatrovivo.com.br – Hoir.: Todas as 6ª, às 21h30; sáb., às 21h e dom., às 18h – Ingressos: sex. e dom., R$ 50; sáb., R$ 70 – Classificação: 14 anos – Até 02/06.

Tudo É Tudo e Nada É Nada
Até 18 de maio o stand-up estará em cartaz no Teatro Folha. Em seu primeiro trabalho como autor, Marcelo Serrado costura histórias curiosas reais e fictícias, em uma sátira sobre o cotidiano, levemente inspirada no sitcom Seinfeld, que mostra o dia a dia de um grupo de amigos.

Queria falar direto com a plateia algo que tivesse a minha cara e que ela se identificasse. Apresento um olhar irônico sobre a carreira de ator: sucesso, fracasso, fama, celebridades instantâneas. Um microfone e um banco mais nada. O solo é uma brincadeira de como fazer stand-up”, diz Marcelo Serrado, que batizou seu primeiro texto com uma frase dita por Tim Maia.

Um dos pontos altos do espetáculo é o comentário sobre alguns dos personagens mais marcantes em seus 28 anos de carreira, como Crô, de Fina Estampa, e Tonico Bastos, de Gabriela. Outro, a cena de improviso em que “esquece” a história e pede para a plateia colaborar para levar a narrativa adiante. “Brinco o tempo todo com o real e a fantasia. Tipo: será que isso aconteceu realmente?

SERVIÇO:
Teatro Folha – Shopping Pátio Higienópolis – Av. Higienópolis, 618 – Terraço – Tel.: 3823-2323 – Hor.: Todas as 6ª e aos sáb., à 0h – Ingresso: R$50,00 (setor 2) e R$ 60,00 (setor 1) – Classificação indicativa: 12 anos – Até 18 de maio.

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