O conjunto e a disciplina alemã ou Messi e a raça argentina?

BRUNO LEITÃO

Diferente da partida entre Brasil e Alemanha, na última terça-feira, no Mineirão, Argentina e Holanda disputaram uma grande semifinal na Arena Corinthians, em São Paulo. O jogo não teve muitas chances de gol, mas foi muito bem disputado, com duas equipes entregues e dispostas a chegar na final da Copa. O resultado foi o empate sem gols durante o tempo normal e também na prorrogação, levando a partida para as penalidades, na ocasião, vencida pela equipe Sul-Americana, que depois de 24 anos vai voltar a decidir o torneio.

A rivalidade mostra o equilíbrio do confronto. Em 1986, na final da Copa, Maradona jogou muito e deu o bicampeonato para a Argentina em cima da Alemanha. Em 1990, os adversários na final eram novamente os alemães, que naquele ano levaram a melhor em cima dos argentinos e conquistaram o tricampeonato mundial.

O tempo passou e a história hoje proporcionará o tira-teima. A Alemanha possui a melhor equipe do Mundial, não pelo que fez com o Brasil, já que na ocasião os brasileiros não apresentaram nenhum risco, mas sim pelo que demonstraram ao longo do torneio, uma equipe muito bem postada em campo, que adora a posse de bola e conta com muitos jogadores que atuam juntos no país de origem. A Argentina tem a raça e garra, além do jogador quatro vezes eleito melhor do mundo, Lionel Messi que, com tantas comparações com Maradona ao longo da carreira por não ter levantado o caneco, igual fez o ídolo argentino em 1986, vive agora a expectativa de atingir tal feito e cravar de vez o nome na história das Copas. Que final!

Romero garante a Argentina na decisão do Mundial
As duas equipes haviam se enfrentado em quatro oportunidades em Mundiais, com três vitórias para Holanda e apenas uma para os argentinos, porém, o único triunfo foi exatamente em cima da laranja, na final da Copa de 1978, a primeira taça dos ‘hermanos’. No quinto confronto, em São Paulo, um grande duelo.

A Holanda apareceu em campo com o que tinha de melhor, sem desfalques, com Robben, Sneijder e Van Persie à frente, enquanto a Argentina vinha com Lionel Messi, mas sem o ótimo meia Di Maria, lesionado durante a partida contra a Bélgica nas quartas de final. Nas fases finais, contra México e Costa Rica, a Holanda havia sofrido apenas um gol, para o México, e marcado apenas duas vezes.

A Argentina, com a defesa sempre questionada, melhorou muito o posicionamento dos jogadores desde as oitavas de final, contra a Suíça, tanto que não sofreu nenhum gol, feito também repetido contra a Bélgica. Porém, o ataque argentino, eleito um dos mais letais deste Mundial, marcou apenas dois gols. Talvez fosse mesmo sinal de um jogo truncado, estudado, de marcação. Foi o que aconteceu. Lionel Messi e Arjen Robben, os melhores jogadores de cada equipe, não tiveram muito espaço para trabalhar e pouco ajudaram em lances de perigo. Resultado, um empate sem gols no tempo normal e também na prorrogação, levando a partida para as penalidades. Tim Krull, o goleiro holandês que entrou e pegou tudo e mais um pouco nos pênaltis contra a seleção da Costa Rica, nas quartas de final, desta vez não entrou, deixando a responsabilidade para o titular Jasper Cillessen, fato que provocou tensão aos que acompanhavam o duelo.

Do outro lado, o goleiro argentino Sergio Romero. Questionado sobre a convocação para o Mundial, ele estava diante de uma tremenda responsabilidade, com certeza a maior de sua carreira, tentar levar a Argentina para mais uma final de Copa do Mundo. O volante Mascherano (é bom que se diga o quanto jogou na partida, um gigante durante os 120 minutos de bola rolando) abraçou o goleiro antes das cobranças, bateu no peito de Romero e avisou ”hoje você vai fazer história!”. Se foram as palavras de Mascherano, não sabemos, o fato é que ele fez história mesmo. O goleiro defendeu duas cobranças, uma delas do meia Sneijder, e foi ao delírio junto de todos os torcedores argentinos presentes na Arena Corinthians. Messi puxou a fila de cobradores da Argentina, que não erraram nenhuma vez. Maxi Rodríguez converteu o último gol, fechou em 4 a 2 e garantiu a equipe na quarta final de Copa do Mundo.

O adversário não será nada fácil. A Alemanha mostrou ao mundo uma verdadeira aula de futebol, tática, técnica e extremamente objetiva, sempre procurando o gol, fato evidenciado nos 4 gols marcados contra o Brasil, em apenas 6 minutos, com toques de bola precisos, envolventes.

Quem consegue parar esta Alemanha? A Argentina de Lionel Messi será a última equipe capaz de tentar tal feito. O craque do Barcelona terá de estar na maior das inspirações para agredir os europeus. Duas potências do futebol, dois estilos diferentes, porém com os mesmos objetivos entram em campo, no domingo, dia 13 às 16 h, no templo sagrado do futebol, o estádio do Maracanã. Que vença o melhor, afinal, a taça de campeão será entregue com muito merecimento para qualquer uma das equipes.

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