Falcão, rumo aos 350 gols pela Seleção Brasileira de Futsal

Na edição de número 350, quando o jornal O Retrato celebra sete anos de sucesso no Tatuapé, Mooca e região, trazemos um bate-papo com o jogador Alessandro Rosa Vieira, mais conhecido como Falcão e considerado o maior ídolo do futsal brasileiro. Com 22 anos de carreira, ele já acumulou 349 gols pela seleção e espera vestir novamente a camisa canarinha para chegar à marca dos 350.

Criado em Santana, zona Norte de São Paulo, e filho de um açougueiro, o craque, que iniciou sua carreira aos 14 anos como jogador de bola pelo AACC Guapira, ficou famoso por seus lances e passes, talento este que o fez chegar à Seleção Brasileira de Futebol. Hoje ele possui 57 títulos individuais, tanto por clubes pelos quais passou, quanto pela Seleção.

Em 2004, perdeu seu pai, vítima de um câncer, momento difícil em sua vida pessoal, mas que lhe rendeu bons frutos após a superação, como o título de Melhor Jogador de Futsal do Mundo pela FIFA. “Acredito que lá de cima ele está iluminando meu caminho e da minha família”.

Além de jogar bola muito bem, fez sucesso com um de seus dribles mais marcantes, a lambreta, realizado durante um amistoso em 18 de dezembro de 2012. O vídeo, com o famoso lance, chegou a atingir a marca de 20 milhões de visualizações no You Tube. Inspiração para as novas gerações, o gênio conseguiu um tempinho para conceder uma entrevista e contar com mais detalhes sobre sua trajetória. Confira!

O RETRATO – Na infância você trabalhou ao lado de seu pai em um açougue. Quando descobriu que queria seguir como jogador de futebol?
FALCÃO - Na verdade nunca foi uma ambição ser jogador profissional, jogava por diversão. Mas devido à diferença em relação aos demais meninos da minha idade, fui ganhando destaque, até ser convidado a fazer parte da equipe do Guapira. Após um curto período no clube, fui contratado pelo Corinthians depois de um jogo amistoso no qual me destaquei.

OR – O apelido Falcão foi uma herança de seu pai, João Eli Viera (in memoriam). Como isso aconteceu?
FALCÃO - Além de açougueiro, meu pai era um jogador de futebol famoso nos campos de várzea da zona Norte de São Paulo. Ele ganhou esse apelido devido à semelhança física com o Falcão, jogador do Internacional na época. E como eu sempre o acompanhava nos jogos, era conhecido como “Falcãozinho”. Aí fui crescendo e o apelido acabou pegando.

OR – Você iniciou sua carreira no clube AACC Guapira em 1991. Esperava conquistar mais de 70 títulos em toda sua trajetória?
FALCÃO - No início não imaginava. Mas depois que me comprometi em ser jogador profissional, comecei a colocar metas em minha vida. Como por exemplo: ser campeão do mundo, o melhor jogador do mundo, recordista em gols de campeonato etc..

OR – Na sua carreira você só jogou em times brasileiros. Faltaram boas oportunidades de ir para o exterior ou ficar foi opção sua?
FALCÃO - Sempre recebi proposta para jogar fora, mas nunca quis. Graças aos meus patrocinadores, consegui fazer minha carreira no Brasil e ser reconhecido mundialmente.

OR – Em 2005 você teve uma experiência com o futebol de campo pelo São Paulo, porém depois acabou voltando para o futsal. O que essa experiência representa em sua carreira?
FALCÃO - Fui jogar futebol de campo em busca de um novo desafio e também para poder realizar o sonho do meu pai, que queria me ver nos gramados, porém por motivos pessoais do técnico na época, não tive muitas oportunidades de mostrar meu futebol, isso abalou meu psicológico e resolvi voltar para o futsal. Mas passar esse período no São Paulo foi inesquecível, a torcida me acolheu muito bem e tem carinho por mim até hoje.

OR – Na Copa do Mundo de Futsal de 2012 você sofreu com uma paralisia facial durante o campeonato. Que lição você tira deste momento?
FALCÃO – Me recuperei da paralisia uma semana após o Mundial, que sem dúvida foi a história mais incrível da minha carreira. O repertório que se criou em 16 dias daria um belo documentário sobre superação: a lesão na perna, a paralisia, o estresse de saber se jogaria ou não… mas graças a Deus tudo foi superado e pude contribuir para o Brasil ser campeão.

OR – Atual bicampeã mundial, como você imagina que será o futuro da seleção brasileira?
FALCÃO - A seleção está vivendo um momento de renovação, creio que minha permanência seja importante para inspirar e instruir a nova geração.

OR – Acredita que o futsal revela tantos jogadores quanto o futebol de campo?
FALCÃO - Sim, o futsal é base de todos os grandes jogadores de campo. Exemplos: Neymar, Ronaldo, Rivelino, Ronaldinho Gaúcho, entre outros.

OR – Você sempre jogou com a camisa 12. Existe uma história por trás da escolha desse número?
FALCÃO - Sim, a camisa 12 sempre foi conduzida por um ídolo de cada época. Primeiro o Jackson, na década de 1970 e 1980, depois o Vander Iacovino, na década de 1990.

OR – Atualmente você defende ADC Intelli/Orlândia, mas já passou por outros times como: Corinthians, Santos, São Paulo, entre outros. Teve algum clube que mais lhe marcou?
FALCÃO - Foi um prazer jogar em todos esses times, respeito todos. Mas de coração sou santista.

OR – Você está prestes a atingir a marca de 350 gols pela Seleção Brasileira. Qual a emoção e a responsabilidade de atingir este momento?
FALCÃO - A sensação é de mais uma meta ser atingida. Satisfação com que faço.

OR – Dentre tantos gols, você tem algum gol inesquecível?
FALCÃO - O gol contra a Argentina, no Mundial de 2012, eu não sabia se iria jogar ou não, e no pouco tempo que fiquei em quadra fiz o gol do empate, que estávamos perdendo, e o gol da vitória. Foi uma emoção inexplicável.

OR – Você tem uma escolinha de futebol na região do Tatuapé. Qual foi o motivo que o levou a escolher a região?
FALCÃO - O Centro de Treinamento Falcão 12 funciona como uma franquia, nosso modelo de negócio permite que o CT seja instalado em qualquer região, desde que atenda a todas as nossas exigências. Hoje temos mais de 40 unidades espalhadas pelo Brasil.

OR – Você foi criado na zona Norte de São Paulo. Costuma frequentar a região Leste?
FALCÃO - Antigamente quando jogava futebol / futsal de várzea, ia bastante à zona Leste para os confrontos com times da região, era uma época legal. Hoje quando vou a São Paulo, fico na zona Norte, onde moram meus familiares e meus melhores amigos.

OR – Você está com 36 anos, até quando pretende jogar?
FALCÃO - Pretendo jogar por mais três anos. Depois quero dar continuidade à minha vida de empresário.

SERVIÇO:
Falcão
www.falcao12.com

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