Daniel Dias: “Não desistam de seus sonhos”

Dono de um sorriso marcante e morador de Bragança Paulista, interior de São Paulo, Daniel Dias se tornou o maior medalhista paralímpico da história do Brasil, após conquistar seis ouros em Londres, somando dez em sua carreira. Aos 24 anos e recém-casado, o atleta revelou em entrevista exclusiva ao jornal O Retrato detalhes sobre como iniciou sua carreira na natação, as Paralimpíadas, o incentivo aos atletas, seus planos para o Mundial em 2013 e os Jogos Paralímpicos do Rio. Confira o bate-papo com Daniel!

O RETRATO – Como o esporte surgiu em sua vida?
DANIEL DIAS –
Sempre gostei de praticar esportes e em 2004 assistindo as paralimpíadas de Atenas percebi que existia um esporte adaptado e em 2005, após meu pai assistir uma palestra motivacional também viu, em vídeos, atletas com deficiência física praticando esportes. Foi aí que fomos para a Associação Desportiva para Deficientes em São Paulo e a pessoa que nos atendeu disse que eu tinha perfil para natação. Foi como tudo começou. Minha família sempre me apoiou.

OR – Por que você escolheu a natação?
DD –
Sempre gostei de praticar esportes, e quando fui pela primeira vez para SP na ADD e fui para a piscina e em 4 aulas aprendi os 4 estilos da natação, percebi que tinha o dom e assim comecei a me dedicar cada vez mais e fui me apaixonando pela natação.

OR – O que enfrentou no início da sua carreira?
DD – No início eram duas coisas, falta de patrocínio e dificuldade de locomoção. Meu pai sempre que podia me ajudava financeiramente e no transporte.

OR – Hoje as escolas estão adotando uma política de inclusão, na prática como isso aconteceu com você? Sofreu preconceitos nos tempos de colégio?
DD – Pela sabedoria de meus pais, eles me colocaram na escola quando essa palavra ainda não existia ou se existia nós não ouvimos falar dela – inclusão. Estudei em escolas “normais” com pessoas “normais”. Isso tudo foi muito importante para meu desenvolvimento físico e emocional. É claro que sofri preconceitos. Eu era o “diferente” da sala. Mas graças a Deus, meus pais sempre tinham uma palavra de carinho, apoio e motivacional para mim.

OR – Como você se sente sendo o maior atleta paralímpico brasileiro da história?
DD – Uma honra, um privilégio e muita responsabilidade.

OR – Quais são as dificuldades de viver do esporte paralímpico no Brasil?
DD – Melhorou muito com incentivos privados, governo Federal e Estadual, através do Bolsa Atleta e do Time São Paulo, respectivamente. Mas acredito que as empresas privadas poderiam incentivar ainda mais o esporte paralímpico. Acreditarem em nós e nos verem como atletas de alto rendimento e que também passam credibilidade para as empresas.

OR – Qual a sensação de subir no pódio e ouvir o Hino Nacional?
DD – É uma emoção indescritível. Não tem palavras. É sensacional.

OR – O Comitê Paralímpico Brasileiro lhe ajuda de alguma forma?
DD – Sim, sem sombra de dúvidas. O Comitê sempre apoiou e apoia os atletas através de vários projetos e competições organizadas por eles.

OR – Em 2009 você recebeu o Prêmio Laureus, que é o “Oscar do Esporte”. Apenas outros três brasileiros receberam este troféu: Pelé, Ronaldo e Bob Burnquist. Como você se sente ao lado desses personagens?
DD – Muito feliz e honrado por fazer parte destas lendas e que tanto fizeram para o esporte e ainda fazem.

OR – O desempenho do Brasil nas Paralimpíadas foi muito melhor do que nas Olimpíadas. O que isso representou para você e os outros atletas paralímpicos?
DD – Não podemos comparar Olimpíadas e Paralimpíadas na forma de competição. Cada atleta tem seu espaço e nós buscamos o nosso. Em termos de resultados tivemos melhor desempenho que os Olímpicos e com menos investimentos que eles.

OR – Os próximos jogos Olímpicos e Paralímpicos serão aqui no Rio de Janeiro. Você acha que o Brasil tem condições de receber eventos deste porte?
DD – Acredito que sim. O Brasil tem um grande potencial e acredito que deixará um enorme legado a todos, principalmente na cidade do Rio de Janeiro.

OR – Você se espelha em algum outro atleta?
DD – Tenho bons exemplos profissionais, como Clodoaldo Silva, Cesar Cielo, Thiago Pereira, Michael Phelps e Ronaldo Fenômeno.

OR – O que o esporte representa em sua vida?
DD – Hoje eu não me vejo sem a natação.

OR – Além das piscinas, quais são suas outras paixões? O que você gosta de fazer em suas horas vagas?
DD – Eu sou muito família. Portanto, gosto muito de curtir minha casa. Mas aprecio videogame, bons filmes e igreja.

OR – Você realiza palestras motivacionais, como surgiu a ideia de iniciar esse trabalho e o que essa experiência significa para você?
DD – Fui convidado uma primeira vez e gostaram de ouvir minha historia de vida. Mas confesso que tenho muito para aprender. Também gosto de dar palestras, pois vejo que também posso, de certa forma, ajudar alguém ou profissionalmente ou mesmo pessoalmente, com os meus exemplos. E espero em Deus, poder sempre ajudar alguém de alguma forma.

OR – Quais são seus próximos objetivos?
DD – Como casei recentemente, meu objetivo é constituir minha família, pois acredito muito nesta instituição e é a base de um bom profissional, pessoa e ser humano. Os próximos são o Mundial em 2013 e os Jogos Paralímpicos do Rio.

OR – Deixe uma mensagem aos leitores do jornal O Retrato para o ano que está começando.
DD – Não desistam de seus sonhos. Lutem, batalhem. Todos nós conseguimos realizar nossos desejos, e o mais importante, sem destruir o dos outros.

Deus abençoe a todos.

SERVIÇO:
Daniel Dias – www.danieldias.esp.br

Comitê Paralímpico Brasileiro – www.cpb.org.br

por PAMELA SCHUMAHER

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