Corinthians, campeão invicto da Libertadores 2012

O dia 4 de julho de 2012 ficará gravado para sempre na memória do torcedor corintiano, pois foi nesta data que acabou a angústia da nação alvinegra ao ver seu time consagrar-se campeão da Taça Libertadores pela primeira vez. Após uma trajetória de 35 anos em busca do tão sonhado título, o Corinthians, que acumulava em sua galeria 25 Campeonatos Paulistas, cinco Brasileiros, três Copas do Brasil e um Mundial de Clubes FIFA, ainda não tinha sentido o sabor de disputar uma final da competição continental.

Com muitas glórias alcançadas em seus quase 102 anos de história e desde 1977, quando participou pela primeira vez da competição, o Timão disputou dez vezes o torneio antes de, enfim, levantar o caneco de forma triunfal. Passou pelo Vasco nas quartas de final, pelo até então campeão Santos na semi e na final enfrentou o hexacampeão Boca Juniors.

O “bando de loucos” parecia confiante no título pela seriedade do time comandado por Tite e pelo bom desempenho mostrado em campo. Ao todo foram 14 partidas com a melhor defesa da competição, sofrendo apenas quatro gols, além de um ataque eficiente marcando 22 tentos.

Sem dúvida, Emerson foi o nome do jogo, mas como ele mesmo disse após a partida, não foi a peça principal no elenco corintiano, mas o que com certeza podemos afirmar é que foi fundamental.

O jogo
O primeiro tempo da grande final foi bem truncado, com poucas chances de gol em ambos os lados, muitos passes errados no meio de campo e muitas faltas cometidas pelos times, que renderam logo aos quatro minutos dois cartões amarelos, um para o zagueiro Chicão e outro para o meia Mouche após se estranharem em uma disputa pela bola.

Quem conseguiu assustar primeiro o adversário foi o clube do Parque São Jorge. Emerson fez uma bela jogada pelo lado direito do ataque, passou por dois marcadores, mas não conseguiu concluir a jogada, pois Ledesma chegou antes do atacante e mandou a bola para a linha de fundo. Neste lance também começou o pesadelo do goleiro Orión, que após um choque com Somoza, sentiu a perna esquerda, tentou seguir em campo, mas não aguentou a dor da lesão e aos 33 minutos acabou sendo substituído por Sebastián Sosa, arqueiro que um ano antes havia sido vice-campeão jogando pelo Peñarol, do Uruguai, e perdendo a final para o Santos. O jogo seguiu, mas os times pouco criaram no restante do primeiro tempo.

Quem achou que o experiente time do Boca Juniors entraria apático no segundo tempo, se enganou. Logo aos três minutos o meia Riquelme, craque do time, teve uma boa oportunidade ao cobrar um escanteio, jogada de especialidade do clube que rendeu o gol Xeneize em La Bombonera, mas acabou não resultando em perigo para a meta de Cássio.

Com o jogo mais equilibrado, o Timão partiu para o ataque e aos oito minutos conseguiu o primeiro tento da final, após falta cobrada por Alex, um desvio de cabeça de Jorge Henrique e toque de classe do meia Danilo para Emerson, que dominou no peito e bateu na saída do goleiro, enlouquecendo a Fiel no Pacaembu.

A partida seguia com o Corinthians mais ofensivo, porém uma falta cometida por Jorge Henrique rendeu um cartão amarelo para o camisa 23 e que foi cobrada com perfeição por Riquelme na cabeça de Mouche, mas Cássio mostrou-se seguro para realizar uma bela defesa. No minuto seguinte ao lance do Boca, o zagueiro Schiavi tentou um passe para seu companheiro, mas foi surpreendido por Emerson, que roubou a bola, correu em direção à meta adversária e só parou quando balançou a rede e simultaneamente o estádio, que gritava emocionado: “É campeão!”.

Tite, a estrela do time

Em 2004 aconteceu a primeira passagem do técnico Tite pelo Corinthians. Na época, o time beirava o rebaixamento, mas quando assumido pelo treinador terminou o Brasileiro na quinta posição.

No ano seguinte, com a chegada do Grupo de Investimento MSI e de jogadores como o argentino Tévez, Tite acabou saindo da equipe por desentendimentos com a diretoria do clube e recebeu uma bela homenagem da torcida, que se sentia agradecida pelos serviços prestados. Mas como diria o ditado: ‘o bom filho à casa torna’, para a sorte do time alvinegro o comandante gaúcho voltou ao clube em 2010 para tentar levar o Timão ao título do Campeonato Brasileiro. O Corinthians não foi campeão, mas fez uma boa campanha e o treinador começava a dar a sua cara à equipe.

Em 2011, a desclassificação para o Tolima na Pré-Libertadores quase causou sua demissão, porém com o apoio do, até então, presidente Andrés Sanchez, seguiu no comando alvinegro para no fim da temporada conquistar o Brasileirão de maneira incontestável. A equipe corintiana começou a ter um ótimo desempenho e dificilmente saía de campo derrotada com o esquema tático implantado pelo técnico. Agora entrando para a história corintiana com a conquista de um título tão esperado e de forma invicta, até os próprios jogadores o nomearam a estrela do time. Tite segue confiante no comando do clube que se prepara no fim do ano para a disputa do Mundial de Clubes.

Por GEORGES NABHAN E NAIARA TELES

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