Conflito entre as Coreias causa tensão

Desde março deste ano, as Coreias entraram em conflito que repercutiu e gerou tensão por todo o mundo. Há anos os dois países vêm travando uma batalha: de um lado está a Coreia do Norte, sob um regime ditatório com uma população miserável e dependente de doações de alimentos de outros países. Do outro, a Coreia do Sul, um país moderno e industrializado, com economia próspera, regido pela democracia, que é aliado dos Estados Unidos.

No último dia 05, pensando na possibilidade de haver uma guerra, o regime de Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, já havia aconselhado que os funcionários das embaixadas estrangeiras em Pyongyang abandonassem o país antes do dia 10. No dia 09, sob a ameaça de uma “guerra termonuclear” os estrangeiros que moram na Coreia do Sul foram aconselhados a sair do país, com a advertência de que correm risco no caso de conflito. Já na quinta-feira, dia 11, o ministro da Unificação da Coreia do Sul, Ryoo Kihl-jae, fez um chamado à Coreia do Norte para restabelecer o diálogo, visando a retomada das operações do complexo industrial conjunto de Kaesong, fechado por decisão de Pyongyang.

Para o professor Sergio de Moraes Paulo, do Colégio Presbiteriano Mackenzie, “o conflito partiu da Coreia do Norte. Mas a Coreia do Sul, os EUA e o Japão estão em crise, logo não deixa de ser conveniente para eles. Esse ‘teatro de guerra’ é algo extremamente comum na política internacional, só não é comum no Brasil, somos uma honrosa exceção.

Ainda de acordo com o professor, não há real interesse em ser iniciada uma guerra, “possibilidade sempre tem, mas quando usei o termo ‘teatro’, quis dizer que isso faz parte da política internacional. Interessa para a Coreia do Norte, porque desvia a atenção do povo de lá pobre e todos olham para outro ponto. Como no Japão e EUA existe desemprego, é conveniente. Só que se o líder não for hábil, pode acontecer um deslize e aí sim uma guerra, mas analisando friamente não há interesse. O grande aliado da Coreia do Norte é a China, a leitura mais ingênua é pensar que ela entraria em guerra com os EUA aliado dos sul-coreanos. Só que usamos diversos produtos chineses que são de empresas americanas. Temos que pensar o seguinte: ‘os EUA entrariam em guerra com a China por um país pequeno?’ Não vejo sentido em a China se indispor com seu maior parceiro”, afirma.

Porém, é preciso deixar claro que em caso de guerra, o Brasil não irá se envolver. “Nossa tradição é legalista, seguimos os princípios internacionais determinados pela ONU e nossa Constituição nos proíbe de tomar partido. No Haiti existem tropas brasileiras, mas houve autorização do governo e da ONU, então não estamos unilateralmente no Haiti, pois temos uma autorização internacional”, conclui.

Um pouco de história
Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Coreia ficou sob influência da União Soviética. Em 1948 o território foi dividido em: norte, comunista e sul, capitalista. Dois anos mais tarde os norte-coreanos com a ajuda da China e da União Soviética invadiram o sul, argumentando que a fronteira fora violada. A ideia era unificar os dois países e mantê-los sob o regime comunista. Tropas americanas enviaram socorro ao Sul, dando início à Guerra da Coreia. O conflito durou até 1953, quando os dois países fizeram uma trégua. Assim a União Soviética continuou ajudando a Coreia do Norte em seu programa nuclear. Em 1985, o governo norte-coreano aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear. Desde então, a ditadura asiática já prometeu interromper o programa nuclear clandestino quatro vezes. Nunca cumpriu o compromisso.

Em 2000, o então presidente Kim Dae Jung, da Coreia do Sul, recebeu o Prêmio Nobel da Paz pela iniciativa de paz com o norte. Porém, a confirmação de que o Norte mantinha um programa secreto para desenvolver armas nucleares impediu a aproximação. A crise se agravou em 2008, quando o presidente Lee Myung-bak adotou uma postura de endurecimento das sanções econômicas em relação ao Norte. E em 2010, o Sul foi atacado duas vezes pelo Norte. Com as eleições em 2012, Park Geun-hye subiu ao poder e declarou tolerância zero às provocações da Coreia do Norte.

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