Chega aos cinemas “Somos Tão Jovens”

Estreia no dia 03, sexta-feira, em todos os cinemas do País, Somos Tão Jovens. O longa conta a emocionante e desafiadora história da transformação de Renato Manfredini Jr. no mito Renato Russo, revelando como um rapaz de Brasília, no final da ditadura, criou canções como: Que País é Este, Música Urbana, Geração Coca-Cola, Eduardo e Mônica e Faroeste Caboclo, verdadeiros hinos da juventude urbana dos anos 80, que continuam a ser cultuados geração após geração por uma crescente legião de jovens fãs. Na trama o jovem Renato Russo (Thiago Mendonça) não tem tempo a perder: sonha ser um astro do rock. Mas ainda é cedo. Ele precisa estudar, dar aulas de inglês, tranquilizar os pais, curtir a turma, curar dores de amor e, principalmente, arrumar quem toque na sua banda.

Confira uma entrevista com Thiago Mendonça falando sobre o personagem e muito mais!

O RETRATO – Muitos atores gostariam de viver Renato Russo no cinema. Como você ganhou essa oportunidade?
Thiago Mendonça - Até quem não é ator queria esse papel! O processo começou em 2008, três anos antes das filmagens. A Fernanda, mulher do Dado Villa-Lobos, me viu atuando na televisão, ligou para o Luiz Fernando Borges, amigo dela, e disse: “Liga a TV agora que você vai ver o Renato Russo”. Além disso, tenho uma amiga colombiana, a Ada Luz, que conhece Denice, a nora do Fontoura e me apresentou a ele. Então, acho que tinha de ser mesmo. Quando tem de ser, as coisas convergem.

OR – O fato de ter vivido outro cantor em 2 Filhos de Francisco, o Luciano, te ajudou de alguma forma?
Thiago - Acho que não. Apesar da coincidência de serem dois cantores, eles pertencem a universos muito distintos. O Renato é urbano e o Luciano é sertanejo. A composição dos personagens também é totalmente diferente. Quando fiz o Luciano, nem precisei cantar, pois a produção tinha o áudio original para usar. Em Somos Tão Jovens, tocamos as músicas ao vivo nas cenas, então, tive de aprender a tocar violão, baixo e guitarra, além de ganhar segurança para cantar.

OR – No que consistiu a pesquisa para o papel?
Thiago - O Renato ainda é uma figura muito presente. Todos têm referências de imagens dele. Mas o filme retrata um período anterior a essas imagens, de formação desse mito. Somos Tão Jovens mostra do que esse cara se alimentou antes do sucesso, quais foram as suas referências na música, na literatura, na filosofia. Por coincidência, essa história foi contada na biografia escrita pelo Carlos Marcelo e lançada quando eu estava fazendo essa pesquisa. Então, ela ajudou muito. Mostra a Brasília do final dos anos 70 e início dos 80 e os adolescentes que formaram a Turma da Colina. Li também a biografia escrita pelo Arthur Dapieve. Conversei bastante com a mãe e a irmã do Renato. A mãe, Dona Carminha, disponibilizou todos os cadernos de anotações dele, feitos na adolescência. Ouvi muitas histórias de amigos dele, como o Carlos Trilha e o Fred Nascimento, que tocaram com a Legião Urbana, e do próprio Luiz Fernando Borges, que colaborou no roteiro do filme. Além disso, ficar três meses aprendendo a tocar com músicos em um estúdio foi um ótimo laboratório.

OR – Houve alguma cena do filme para a qual a mãe e a irmã tenham contribuído especialmente?
Thiago - Quando filmamos a cena em que o Renato volta a andar, Dona Carminha estava lá. Era o pátio do mesmo prédio em que eles moravam. Ela reviveu aquilo e a emoção dela respingou em mim. Num dos intervalos, ela me colocou sentado no colo dela. É mágico.

OR – É possível perceber que você reproduz diferentes tonalidades da voz do Renato Russo. Que características do Renato você procurou retratar?
Thiago - Fiz o Renato dos 16 aos 22 anos. Muita coisa acontece nesse período. Lembro também que minha voz mudou muito na adolescência. Temos a referência do Renato de voz grave, quase Elvis Presley, mas, quando começa a tocar punk, ele canta bem mais agudo. Então, existe essa transição vocal mesmo.

OR – Segundo relatos de quem conviveu com o Renato Russo, tratava-se de uma pessoa instável e multifacetada. Isso dificultou o seu trabalho?
Thiago - O difícil é mostrar em um único filme tantas facetas. Dentro das histórias contadas no filme, tentamos mostrá-las ou pelo menos indicar a origem de algumas delas, já que o Renato jovem ainda não era como o Renato adulto que nós conhecemos. Acho que ele era mais solar na adolescência, na juventude todos temos o desejo de transformar, de subverter, que torna o personagem mais solar. Mas eu diria que dividi o Renato em três: o filhinho da mamãe no convívio familiar; o adolescente que saía com os amigos, mais próximo do ídolo do rock; e o professor de Inglês que usa camisa de botão. Mudava de acordo com o ambiente em que ele estava.

OR – Você tinha cinco anos quando a Legião Urbana lançou o primeiro disco e 16 quando a banda chegou ao fim em 1996. Chegou a ouvi-los na adolescência?
Thiago - Ouvia sim. Meu irmão é cinco anos mais velho do que eu, então, fez parte de uma geração que acompanhou esse movimento.

OR – Como tem lidado com a idolatria que ainda existe em torno do Renato? Como esses fãs têm recebido o seu trabalho a partir do que viram nas imagens já divulgadas?
Thiago - Assisti a algumas entrevistas dadas pelo Renato e, sempre que ele falava desse endeusamento, tenho a impressão que se sentia um pouco incomodado. Sinto a expectativa em torno desse filme no meu próprio círculo de amizades, mas fiz questão de não deixar esse fantasma ganhar muito espaço durante o processo porque aumentava a sensação de responsabilidade. Ela já é grande o suficiente. Se fosse pensar nas cobranças de milhões de fãs, ia pirar.

Informações:
Elenco: Thiago Mendonça, Marcos Breda, Laila Zaid
Direção: Antônio Carlos da Fontoura
Gênero: Drama
Duração: 104 min.
Distribuidora: Imagem Filmes
Classificação: 14 anos.

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