Carros e bicicletas ainda ficam ‘perdidos’ nas novas ciclofaixas da região

BRUNO LEITÃO

No dia 04 de agosto, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad inaugurou o primeiro trecho de ciclofaixa na Av. Vereador Abel Ferreira, na altura do bairro Jardim Anália Franco. O passo foi apenas o início de um longo projeto que vem sendo arquitetado junto à Prefeitura da Cidade, que visa integrar, por várias interligações, o Tatuapé a Itaquera, conforme Haddad contou em coletiva no dia da entrega.

Que a iniciativa das ciclofaixas é interessante em vários sentidos, ninguém discorda, porém, a implantação desses trechos não tem cumprido exatamente a expectativa que, no campo dos insatisfeitos, conta com ciclistas e motoristas. Em ruas do Anália Franco, por exemplo, motoristas são ‘forçados’ a trafegar na contramão em função do local escolhido para a implantação de trechos das ciclofaixas e também saem prejudicados pela atual sinalização de trânsito em alguns locais. Além disso, segurança também tem sido pauta entre os frequentadores da região.

O ciclista Rafael Chianca Antunes, arquiteto e urbanista e também organizador do grupo MTB Tatuapé, conta que utiliza algumas ciclofaixas da região, mas alerta para a falta de estrutura e segurança ainda presentes nas novas vias. “O trecho da Radial é seguro, oferece segurança com a barreira física implantada junto à via, entre carros e ciclistas, embora exista falta de iluminação em alguns pedaços. Perto do Ceret, próximo da minha casa, ainda sinto falta de uma maior segurança, como na Abel Ferreira, por exemplo. Temos de ficar sempre torcendo por prudência dos motoristas”. O Ceret (parque da região mencionado por Rafael) é um ponto bastante adorado pelos moradores do Tatuapé, mas hoje ainda segue com a norma de permitir bicicletas em seu interior apenas para crianças, gerando dúvidas nos ciclistas sobre a funcionalidade das ciclofaixas ao redor do parque. “O Ceret oferece uma estrutura excelente para prática de vários esportes, porém esqueceram das bicicletas. Na minha visão de arquiteto, acho que deveria ser implantada uma ciclovia que acompanhasse todo o perímetro interno, próximo ao muro que cerca o terreno, assim não atrapalharia os corredores que treinam no local e ainda seria bastante convidativo para um novo público frequentar o local”, explica Rafael.

Procurados pela reportagem do jornal O Retrato, Prefeitura e CET (Companhia de Engenharia e Tráfego) disseram que todos os trechos estão sendo monitorados e analisados por especialistas e falam em possíveis mudanças. “Após as ativações das ciclovias, incluindo os trechos citados no Jardim Anália Franco, seguimos observando o desempenho do sistema viário como um todo. Se necessários, ajustes poderão ser feitos”.

Ainda de acordo com os órgãos responsáveis, a criação de novas ciclovias significa uma mudança de cultura no sentido de valorizar o transporte coletivo ou as alternativas que possam ser implementadas. Não é mais possível promover ações que visem somente o automóvel particular, medida que tem se mostrado ineficaz em São Paulo e em todas as grandes cidades.

Se você também trafega por essa região e encontra dificuldades, envie sua crítica, dúvida ou sugestão para redacao@jornaloretrato.com.br

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