Cafu, exemplo de solidariedade

Em meio às celebrações de final de ano, sempre resta um tempinho para refletir sobre os triunfos e erros que marcaram nosso ano, época de perdoar e ser perdoado, de listar novas metas, se aventurar para um novo ano que vem se aproximando e, principalmente, pensar mais no que estamos fazendo por nós mesmos e pelas pessoas que estão à nossa volta. Desta forma, nesta última edição de 2013, o jornal O Retrato escolheu Marcos Evangelista de Morais, o Cafu, para representar este sentimento de preocupação com o próximo.

O ex-jogador, que foi criado no Jardim Irene, ao longo de sua carreira jogou em times como São Paulo, Palmeiras, Roma e Milan, na Itália, e consagrou-se ao defender a Seleção Brasileira, tornando-se Tetra e Pentacampeão Mundial nos anos de 1994 e 2002.

Porém, antes mesmo de ‘pendurar as chuteiras’, o lateral-direito decidiu dedicar seu tempo para ajudar pessoas carentes e assim abriu a Fundação Cafu, entidade sem fins lucrativos, que ajuda a combater a desigualdade social apresentando aos jovens oficinas de teatro, música, arte e dança; brinquedoteca; esportes; cursos profissionalizantes de artesanato e de cabeleireiro; e atendimentos odontológicos, psicológicos e fisioterapêuticos. Conheça a seguir um pouco do trabalho da instituição!

O RETRATO – Quando e como decidiu criar a fundação? De onde veio essa vontade?
CAFU – A fundação já existe há 11 anos. Em 2001 aconteceu o pontapé inicial e em 2002 fizemos a inauguração oficial. A vontade já vinha devido às próprias dificuldades do bairro Jardim Irene, que é carente. Tínhamos dificuldades em relação a espaços para deixar as crianças se divertirem, onde pudessem expressar a inteligência delas. Sabemos que a periferia de todos os bairros não proporciona essas condições. Então o objetivo era que as crianças tivessem essa direção.

OR – Quantas crianças são assistidas pela Fundação?
CAFU – Hoje estamos com 750 crianças fixas, de 3 a 17 anos, e realizamos mais de 1.600 atendimentos mensais.

OR – E quanto a esses 1.600 atendimentos, do que se trata?
CAFU – São programas como cursos profissionalizantes, trabalhos com escolas, caminhadas saudáveis para mais de 100 idosos. Atividades paralelas que acabam somando 1.600 atendimentos mensais.

OR – Quantos projetos vocês têm no total?
CAFU – Mais de 20 projetos, entre os de cursos profissionalizantes e os cursos da fundação.

OR – Pretende expandir a instituição?
CAFU – Se eu tivesse condições financeiras para isso, já teria expandido (risos). Mas infelizmente as condições acabam inibindo nossa vontade de crescer.

OR – Como as pessoas devem fazer para ajudar?
CAFU – A colaboração que precisamos hoje, sem dúvida nenhuma, é financeira. E quem desejar ajudar deve acessar o nosso site: www.fundacaocafu.org.br. Lá temos todas as instruções para que as pessoas sejam doadoras, parceiras ou colaboradoras. A fundação precisa de colaborações mensais.

OR – Quantas pessoas trabalham na fundação?
CAFU – Hoje, por incrível que pareça, são 16 funcionários fixos, sem contar os voluntários.

OR – E qual o perfil dos voluntários?
CAFU – Geralmente são pessoas que já trabalharam com crianças ou que desejam trabalhar. Há também os universitários, que para ganhar pontos nas faculdades vêm trabalhar e ajudar nos projetos.

OR – Talvez esse seja o caminho, buscar em faculdades pessoas que possam desenvolver trabalhos aqui…
CAFU – Quanto mais voluntário melhor, mas o problema é que o trabalho deles acaba não sendo uma sequência fixa, e como temos projetos que duram 1 ano, 1 ano e meio, eles geralmente não ficam esse tempo todo. Mas temos eventos esporádicos e voluntário é sempre bem-vindo!

OR – Quanto tempo você dedica à fundação?
CAFU – Devido aos outros trabalhos que tenho em paralelo, está difícil passar muito tempo aqui. Mas venho pelo menos uma ou duas vezes durante a semana, quando posso venho mais, porque sei que é uma maneira de incentivar as crianças.

OR – O que falta para ter mais lugares como os de vocês da fundação?
CAFU – Pessoas sérias, que acreditem no trabalho, que queiram ajudar e que tenham coragem, pois muitas querem, mas sentem medo. A responsabilidade é muito grande!

OR – No dia 11 de dezembro, o Papa Francisco foi eleito a personalidade do ano pela revista Time. O que você acha dele?
CAFU – Acho fantástico. Você sabe que por duas vezes tive a oportunidade de beijar a mão do Papa João Paulo II? Também já fui ao jardim do Vaticano! E agora falando do Papa Francisco, ele está fazendo um trabalho fantástico, é supercarismático. Nós precisamos disso, de pessoas carismáticas para que a sociedade se apegue realmente, e que sejam do bem, para que os indivíduos possam acreditar.

OR – E qual é a sua religião?
CAFU – Tenho muita fé e acredito muito em Deus. Vou à igreja às vezes. Quando meu irmão pode ele me leva para a igreja (evangélica). Gosto muito de rezar, orar, peço pela vida das pessoas, mas não sou um cara que tenho que ser só aquilo e já era, sou muito aberto para qualquer tipo de religião. Respeito a crença de todo mundo.

OR – Vocês disponibilizam algum tipo de ensino religioso aqui?
CAFU – Não, justamente para não influenciar e/ou conflitar dentro de casa. Eles podem não entender o nosso trabalho e achar que estamos influenciando a família deles por meio da fundação e não queremos isso! Pregamos aqui 100% a inclusão social.

OR – Para finalizar, como você define a palavra solidariedade?
CAFU – Vontade, pessoas do bem, pessoas de bom coração, pessoas que querem ajudar outras sem esperar nada em troca!

Informações:
Para conhecer e ajudar a Fundação, acesse:
www.fundacaocafu.org.br

One Response to Cafu, exemplo de solidariedade

  1. marco disse:

    Olá quero conhecer mais para participar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

  face