“Acredite, um espírito baixou em mim” está de volta ao Tatuapé

Sucesso de público por onde passa, o espetáculo Acredite, um espírito baixou em mim chega ao Teatro Fernando Torres no dia 04, sexta-feira. Há 15 anos em cartaz, a comédia narra a história de Lolô (Ilvio Amaral), um homossexual assumido que inconformado com a própria morte foge do céu para viver novas experiências. Assim ele descobre seus poderes e acaba criando uma grande confusão após incorporar em Vicente (Maurício Ganguçú), um machista radical noivo da ciumenta Normanda (Adriana Ferrari). Com produção de Rodrigo Ciambroni e Eduardo Guimarães, a peça, que tem texto de Ronaldo Ciambroni e direção de Sandra Pêra, ainda conta com Lino Camilo, que interpreta Lucas, e Paulo César de Mello, que faz o Anjo Guardião do Céu. Leia nas próximas linhas uma entrevista com o ator e diretor Maurício Ganguçú.

O RETRATO – Por que resolveram voltar para São Paulo?
MAURÍCIO - Em Belo Horizonte é um recorde, fazemos duas sessões por dia, é um público de 7 ou 8 mil pessoas por semana. Mas em São Paulo foi sempre um fenômeno, também a cidade é um dos maiores mercados de teatro do mundo, amamos São Paulo. Sem desmerecer nenhum dos outros mercados, o sucesso em São Paulo é diferente de qualquer lugar do País.

OR – Então vocês gostam da Cidade…
MAURÍCIO - Adoramos (risos). Tenho um apartamento em São Paulo, foi o primeiro lugar que quis comprar fora de Belo Horizonte. Ainda mais porque houve uma época que fomos contratados pela A Praça é Nossa por três anos, para fazer o Lolô e o Vicente. Eu dava em cima do Carlos Alberto ou de outros homens que estavam ali e xingava mulheres como Sheila Carvalho e Carla Perez (risos). A gente não faz e nem fizemos sucesso por causa da Praça, pelo contrário, eles nos viram no espetáculo e nos convidaram, gosto de dizer porque tenho orgulho da nossa história, trilhamos nossa trajetória em cima do teatro. Não tenho nada contra a televisão, muito pelo contrário, sou super a favor. Além disso, o sucesso da peça foi tão grande que acabamos por fazer um filme com o mesmo nome, que tem Marília Pêra, Arlete Salles, Benvi Siqueira e Suely Franco e ficou na época de lançamento entre os 10 mais assistidos no País do cinema nacional.

OR – Como você define o espetáculo?
MAURÍCIO - Uma comédia simples. A Bibi Ferreira foi assistir em Belo Horizonte e disse que o segredo da nossa peça era o segredo de todo grande sucesso: ela é muito simples. E como em todos os sucessos, apresenta a simplicidade com perspicácia, com uma precisão cirúrgica. A Bibi falou isso e eu fiquei muito orgulhoso na época, amo a Bibi.

OR – E, na sua opinião, qual o segredo do sucesso?
MAURÍCIO - Temos um prazer enorme em fazer a peça até hoje, não é aquela coisa assim ‘ah, deixa eu fazer porque tenho que ganhar dinheiro ou só porque lota’. E se uma pessoa vai assistir à peça três vezes, ela consegue assistir três espetáculos diferentes. O Ilvio faz questão de colocar em cena qualquer coisa que acontece com a gente no trânsito, em casa, que na hora pode ter sido um horror (risos). Nós cuidamos da peça, fazemos reuniões. Temos essa preocupação de deixar o espetáculo ativo.

OR – Nestes 15 anos de espetáculo, por onde passaram?
MAURÍCIO - Ficamos no Rio por um ano, São Paulo foram quatro anos entre idas e vindas e no meio de semana fazíamos temporadas em Belo Horizonte, ao todo fizemos 17 Estados. Acho legal dizer isso, pois não somos atores de televisão e rodamos lugares que nunca imaginei que fôssemos fazer.

OR – Quando e como decidiram montar o espetáculo?
MAURÍCIO - Ilvio e eu temos uma produtora há 30 anos, que é a Cangaral Produções, e nós administrávamos um teatro, estávamos terminando de fazer a novela Mandacaru, na extinta Manchete, e quando terminássemos iríamos ficar sem trabalho e vivemos disso. Administrávamos um teatro de 250 lugares, tínhamos que produzir uma peça para colocar em cartaz enquanto não aparecia um novo projeto. Como somos amigos do Ronaldo Ciambroni, ele nos mandou um pacote de 10 textos mais ou menos, no meio dele nós puxamos um que era o Bofe à milanesa, que é o nome original da peça. Resolvemos fazer a peça, mas acabou que os atores que iam fazer a peça não quiseram fazer mais, cada um teve um problema.

Chamamos a Sandra Pêra, que fazia Mandacaru com a gente, e ela disse que estava velha para fazer o papel da mocinha, que ela tinha mais de 30… Então a chamamos para dirigir a peça, ela disse que nunca tinha dirigido sozinha, que tinha que fazer com a irmã, mas topou.

Começamos a ensaiar, não tínhamos atores e faltavam 15 dias para estrear e isso ainda era no meio da Copa de 98. Então já tinha esse problema, todo mundo queria ver os jogos, não queriam ensaiar. Ilvio e eu resolvemos fazer e ensaiamos em 14 ou 15 dias, estreamos a peça quase sem material gráfico, e já tínhamos divulgado a peça, não tinha como mudar a data. Assim no segundo dia pensamos: ‘vamos convidar umas pessoas, que não vai ter público’, tínhamos 100 pagantes e uns 70 convidados, o teatro tinha 250 lugares, 100 pagantes já era bem legal. Nos perguntávamos: ‘dá onde saiu esse monte de gente?’ (risos) Quando foi no terceiro dia da peça nós esgotamos, pensamos: ‘gente, tem alguma coisa acontecendo aqui’ (risos).

SERVIÇO:
Teatro Fernando Torres
R. Padre Estêvão Pernet, 598
Tatuapé
Tel.: 2227-1055
Até 01 de junho
Todas as 6ª, às 21h30; sáb., às 21h; e aos dom., às 19h
Atenção: Não haverá sessão no dia 06 de abril, domingo
Ingressos: R$ 40 (sexta-feira), R$50 (sábado) e R$ 40 (domingo)
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Duração: 90 min.
Classificação: 14 anos.

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