A Subprefeitura Mooca, o verde e a seca

EUCLYDES BARBULHO*

São Paulo e regiões adjacentes nunca sofreram uma seca tão acentuada como vêm passando. Não é só a água das represas paulistas que está se esvaindo. Pelo que se lê, algumas represas que produzem energia elétrica também estão no limite devido à falta de chuvas.

Parece que ainda estamos em campanha eleitoral com candidatos dizendo que resolveriam o problema se ganhassem, e muitos acreditaram. Será que eles fizeram algum acerto por baixo do pano com São Pedro?

Gente, o assunto é sério e está provado que a falta de chuvas, entre outros fenômenos, está na falta de mata ciliar em torno das represas, que foram invadidas ou desmatadas e ninguém fez ou faz nada a respeito. Parece que agora a SABESP irá tomar providências a respeito.

Ou seja, poderíamos concluir que se houvesse a mata no entorno das represas o nível pluviométrico seria outro, mais abundante, sem nos deixar ansiosos com tantas notícias ruins. Só se ouve falar que o governo deixou de investir na área, mas basta lembrar que há dois anos os níveis estavam normais, mas ninguém fala o que fazer. Até caras da ONU dão palpites deixando a população mais apreensiva. A eleição já acabou, agora é encontrar novas soluções e partir para a ação, como o governo paulista e a população estão fazendo.

Mas… e a Subprefeitura Mooca o que tem com isso? Vejamos. É uma das regiões com menos áreas verdes da Cidade. Tanto é que tem caído ainda pouca chuva na Cidade, mas na região quando muito só garoa.

Está na hora de se tomarem providências viáveis para acabar com o inferno que a região vive. Os prédios crescem sem parar, famílias e mais famílias estão vindo povoar o bairro e região e o que a prefeitura tem feito? Nada.

Nada é maneira de dizer: o trânsito anda cada vez mais caótico, pois o crescimento da Zona Leste para chegar a outros bairros passa pelo centro da Mooca e bairros adjacentes, uma vez que a Avenida Radial Leste tem três, depois duas e em alguns pontos uma faixa, a prefeitura colocou faixa de ônibus e de ciclistas no mesmo espaço e ainda, o que é pior, quer construir nos terrenos remanescentes de antigas fábricas no entorno da Mooca milhares de casas populares, sufocando mais ainda o bairro.

Pergunto: como vai viver a população hoje já congestionada e sufocada desses bairros? Sem poder sair de casa, pois de carro não dá, de ônibus é um inferno, de metrô ou de trem é impossível a uma população mais idosa como a do bairro tomar esses meios de transporte.

Estão querendo sufocar o bairro ao invés de plantar áreas verdes em muitos desses logradouros como, por exemplo, no terreno da antiga Esso. Daria um belo parque numa área totalmente tomada por cimento armado que causa um calor e uma secura acima da média e com chuva bem abaixo da média.

As eleições já terminaram, agora cabe à Prefeitura arregaçar as mangas, deixar de fazer política e atacar o que está afligindo realmente a população pacífica da Mooca e bairros adjacentes.

Menos política e mais verde para a Subprefeitura Mooca é o que pede sua população.

* Euclydes Barbulho é escritor e autor do livro Mooca 450 anos – Passando pelo Túnel do Tempo.

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