A mulher advogada em início de carreira

Por LEOPOLDO LUIS LIMA OLIVEIRA*

Ao adentrar ao Fórum, no meio da multidão surge uma profissional, vestida de forma agradável e com bom gosto. Leva consigo o conhecimento e a sensação da certeza de estar realmente mudando o mundo. É uma mulher advogada que estudou e agora está iniciando sua carreira profissional. Com o olhar atento, olha para o “direito”, que passa por transformações. As mudanças nos valores sociais demonstram que os modelos propostos muitas vezes não conseguem atender às expectativas da sociedade. Assim como o direito, o exercício da advocacia também passou por “fases” no decorrer dos tempos, nunca deixando de representar um alicerce aos direitos consagrados no texto Constitucional brasileiro. Dentro deste contexto, o trabalho da mulher sempre representou uma mola propulsora no desenvolvimento da administração social. Com sensibilidade e competência, as mulheres ganham espaço no contexto profissional e assim como os homens sofrem com o choque trazido pela dinâmica moderna. Na maioria das vezes advogadas já experientes, advindas de uma outra fase vivida nos bancos da Universidade e da carreira. São operadoras do direito que assim como os homens frequentaram os balcões dos Fóruns nos últimos anos. Algumas delas deixaram de acompanhar as transformações em face de tantas responsabilidades e tarefas enfrentadas no dia a dia.

Por participarem de forma mais próxima na educação dos filhos, na administração do lar e outras atividades essenciais e diferenciadas, estas mulheres empenham a bandeira de igualdade, mas precisam trabalhar. O começo de carreira para a mulher advogada é sempre bem concorrido. São diversas as áreas jurídicas de atuação no direito. Alguns ramos, como o direito eletrônico, direito ambiental, direito econômico, direito do consumidor e tantas outras, refletem o anseio da sociedade em buscar a salvaguarda de interesses e princípios próprios de um Estado Democrático, na luta pela defesa do ideal de justiça. São novos ramos do direito que permitem atrativamente um desafio novo para a mulher, semeado por uma legislação ainda recente, com mudanças constantes e que trazem necessariamente a presença de jovens profissionais. A advocacia de uma mulher só atualmente perde espaço para os grandes escritórios, compostos por um grande número de profissionais nas mais diversas áreas, travando a batalha em grande número de ações por meio de administração com caráter de uma verdadeira e grande empresa comercial. As privatizações, as aquisições de empresas a nível internacional e a busca pelo ingresso de grandes escritórios no Brasil nos últimos anos trouxeram o País para o mundo digital. Também os grandes escritórios, carentes de mão de obra qualificada e profissionais líderes, perdem espaço para os escritórios pequenos, chamados de “escritório modelo”. São verdadeiras ilhas de tecnologia com pequeno número de profissionais, mas com grande nível de conhecimento e especialização em determinada área do direito. Um novo conceito à advocacia feminina surge neste cenário primando por uma advogada ágil, rápida e que possa acompanhar o processo sempre de forma pessoal e com postura adequada.

Alguns críticos entendem que as vestimentas da profissional adequada devem ser sempre as mais reservadas. Talvez entendam que este fator influencia diretamente no trabalho desenvolvido. De outro lado há quem afirme que o conhecimento e a capacidade de trabalho podem superar estes e outros obstáculos.

Existem escritórios que acabam formando equipes somente de mulheres advogadas como uma reserva de mercado, a fim de fazer justiça a esta profissional do direito que representa não só a competência profissional mas também social. É a advogada a sociedade da comunicação, da realidade digital e do futuro do País, aquela que contribui com uma sociedade mais justa e democrática, criando homens livres e de bons costumes. Já o dos homens permanece com a sensação de dever cumprido. O trabalho continua. Avante !

*Leopoldo Luis Lima Oliveira é advogado militante, possui Especialização em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários – IBET, Especialização em Direito Penal e Processo Penal pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pós-Graduado em Direito e Processo Penal pela Pontifícia Universidade Católica – PUC/SP e Mestrando em Direito Penal pela Pontifícia Universidade Católica – PUC/SP. Atual Secretário Geral Adjunto da 101ª Subseção Tatuapé da Ordem dos Advogados do Brasil, membro da Comissão OAB Vai à Faculdade – OAB Tatuapé, coordenador da Escola Superior de Advocacia Esa – Núcleo Tatuapé e membro da Comissão de Justiça e Cidadania da OAB/SP.

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