A dentuça que roubou a cena dos quadrinhos comemora 50 anos

NAIARA TELES
colaboração AMANDA LISSONI E GEORGES NABHAN

Em meio à comemoração aos 50 anos da dentuça mais famosa dos quadrinhos estreia no dia 04, sábado, o musical Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta, no Teatro Geo e no dia 05, domingo, a exposição Mônica 50 Anos no MuBE – Museu Brasileiro da Escultura.

Criada pelo cartunista Mauricio de Sousa, em 03 de março de 1963, para uma tirinha do jornal Folha da Manhã, e inspirada em uma das filhas do cartunista de mesmo nome, Mônica e sua turma renderam fama a Maurício que, até então, trabalhava como repórter policial e ilustrava suas matérias com os desenhos que criava.

Nascido em uma família de artistas, como Mauricio mesmo intitula, o gosto pela arte de desenhar foi nato e quando perguntado se sabia que o personagem seria o que é hoje ele é taxativo e responde que não, mas que tinha certeza de que seu futuro estaria ligado ao desenho. Quanto ao segredo do sucesso, bom esse é, de acordo com o cartunista, inexplicável. Ao atender a equipe do jornal O Retrato com muita atenção e disponibilidade, o cartunista lembrou a época em que foi morador do bairro do Tatuapé e recordou de passeios na região como as idas ao cinema São Luís.

Memórias à parte, conversamos sobre a criação da cinquentona, que foi lançada para ser secundária, mas roubou a cena e participou da história de cinco gerações, além de ajudar na alfabetização de milhares de crianças. Confira!

O RETRATO – O primeiro personagem que você criou foi o Bidu nas tirinhas da Folha da Manhã. Como surgiu a ideia de fazer a Mônica?
Mauricio de Sousa - Nós lançamos o Bidu, depois de algum tempo, criei o Cebolinha. Ele ficou muito forte e ganhou uma tirinha separada no jornal. Na sua estreia, lançamos a Mônica como uma personagem secundária. Só que ela roubou a cena (risos), acredito que toda vez que aparece uma personagem feminina, ela rouba a cena mesmo (risos).

OR – De onde surgiu essa opinião?
Mauricio - Da minha cultura, da história em quadrinhos e da comunicação. As mulheres são as maiores compradoras de revista e responsáveis por mais de 80% das capas. São elas que ditam a moda praticamente. As chamamos de rainhas do lar, uma coisa meio piegas (risos), meio romantiquinho, mas elas são as rainhas que reinam e ditam a política da casa, não o homem. Já que a mulher manda e como venho de uma família de matriarca, já me acostumei com isso, então vamos dar esse destaque às personagens mulheres também.

OR – Mudando de assunto, sabemos que você tem dez filhos, todos viraram personagens?
Mauricio - Só falta o caçula. Vamos lançar em tiras de jornal. A maioria dos meus personagens nasceu em tiras de jornal, que é uma espécie de laboratório. Pois você consegue saber como o personagem está sendo recebido O leitor do jornal e, agora, o pessoal da internet respondem muito rápido, então, sei o que eles querem, sei se gostaram, porque eles pedem, opinam e tudo mais.

OR – E os outros filhos ficam orgulhosos com isso?
Mauricio - Ficam sim, à medida que vão tomando conhecimento, a Mônica, por exemplo, custou a descobrir que ela é a Mônica da historinha. Com uns 7 anos ficou na dúvida, desconfiou, perguntou, descobriu e ficou toda orgulhosa.

OR – Com toda essa tecnologia, você acredita que a era digital acabará com os gibis impressos?
Mauricio - Acredito que os gibis vão continuar existindo, só que em outras plataformas. Agora nós estudamos o Facebook e o Twitter como se fossem produtos.

OR – Antes de ser cartunista, você era repórter policial na Folha da Manhã. O que nos conta desta experiência?
Mauricio - Foi muito bom, o jornalismo ensina muita coisa. Me ensinou principalmente a escrever história em quadrinhos, ou seja, no jornal você não pode escrever muito, porque tem que ser direto e objetivo.

OR – E como foi a transição? Você recebeu um convite ou disse: “agora vou ser cartunista”?
Mauricio - Depois de alguns anos de reportagem resolvi que estava na hora de voltar ao meu velho mundo (risos).

OR – Qual é o segredo para manter a Mônica e toda a turma fazendo sucesso por tanto tempo?
Mauricio - Difícil, já tive várias teorias, mas sei que tem a ver com técnica, talento e oportunidade. Acho que queria fazer isso e estudei muito histórias em quadrinhos de vários personagens. Depois, tive que treinar, desenhava muito. E daí a oportunidade, escrevia na Folha, fazia reportagem e, muitas vezes, ilustrava as matérias com meus desenhos.

OR – De onde veio essa inspiração e o dom para desenhar?
Mauricio - Nasci em uma família de artistas, então para mim era natural e eles me incentivaram muito. Foi por isso que sempre acreditei que faria algo ligado a desenho.

OR – Por que você decidiu criar a Turma da Mônica adolescente?
Mauricio - Foi meio estratégico. A Turma da Mônica Infantil estava indo muito bem, como foi durante muitos e muitos anos. Mas, como a infância está encolhida no Brasil, muitos leitores estavam deixando a Turma da Mônica Infantil e percebi que eles liam mangá japonês. E aí está o segredo, assim recuperei os leitores que gostam de mangá e os que gostam da Mônica.

OR – Falando sobre o fato de as crianças passarem muito rápido pela infância. O que você acha disso?
Mauricio - Isso é irreversível e é um processo natural, com o avanço tecnológico, muda a informação e o desenvolvimento da criançada. Temos que torcer para que tudo dê certo daqui a um milhão de anos.

OR – Voltando a falar da Turma da Mônica Jovem, o senhor recebeu muitas críticas quando a criou?
Mauricio - Algumas críticas sim. O pessoal achou que eu estava cometendo um sacrilégio contra a lembrança deles. Mas sobrou a realidade e hoje, a Turma da Mônica Jovem é a revista mais vendida no Ocidente. Vende três ou quatro vezes mais que a Turma da Mônica Infantil.

Comemorações
Ao longo do ano serão realizadas inúmeras celebrações para homenagear os 50 Anos da Mônica. Confira duas estreias que acontecem no mês de maio:

 

 

Mônica 50 Anos
No dia 5, domingo, a exposição Mônica 50 Anos será aberta ao público no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE). A mostra retrata ludicamente, em mais de 680m², o cinquentenário da personagem Mônica, criada pelo desenhista Mauricio de Sousa há exatos 50 anos.

Por meio de objetos históricos, publicações editoriais, desenhos animados e instalações, o público visitante mergulhará década a década na história da baixinha dentuça mais famosa dos quadrinhos nacionais. Desde 1963, ano de sua primeira aparição, Mônica conquistou o Brasil e foi destaque internacional no mundo dos quadrinhos.

A mostra que tem curadoria de Jacqueline Mouradian, e foi desenvolvida pela equipe da Mauricio de Sousa Produções, ficará em cartaz até o dia 02 de junho.

SERVIÇO:
MuBE – Museu Brasileiro da Escultura – Av. Europa, 218 – Pinheiros – Tel.: 2594-2601 – Hor.: De 3ª a dom., das 10h às 19h – Entrada gratuita.

Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta

Baseado no clássico da literatura Romeu e Julieta, de William Shakespeare, com releitura de Mauricio de Sousa e adaptada ao estilo narrativo do universo da Turma da Mônica, o musical Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta estreia no dia 4, sábado, no Teatro Geo, Embalado com 13 músicas que abusam de ritmos brasileiros como forró, samba e xote, todas regravadas e remasterizadas, conta com mais de 100 profissionais envolvidos na produção e 20 atores e bailarinos no palco do musical. A duração é de 65 minutos, com 15 de intervalo.

Além disso, o espetáculo foi a primeira peça teatral da Turma da Mônica e teve sua estreia no teatro TUCA, em São Paulo, em 1978.

SERVIÇO:
Teatro GEO – R. Coropés, 88 – Pinheiros
Complexo Ohtake Cultural (próximo à estação Faria Lima do Metrô)
Infos.: 3728-4925 / 3728-4930
Hor.: Todos os sáb. e dom., 11h e 15h
Ingresso: R$ 80 inteira (Plateia) / R$ 60,00 inteira (Balcão)
Classificação: Livre.

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